Página inicial > Medievo - Renascença > Ibn Arabi (Fusus): II §18

Ibn Arabi (Fusus): II §18

domingo 20 de março de 2022

      

tradução desde Burckhardt

Certos pensadores intelectualmente fracos, partindo do dogma   que Deus   faz tudo aquilo que quer, declararam admissível que Deus agisse contrariamente aos princípios e contrariamente àquilo que a realidade   (al-amr) nela mesma [quer dizer, no seu estado   principial — como se a manifestação de Deus não procedesse de possibilidades eternamente presentes no Ser divino e no Intelecto   universal  ]. Deste fato, foram até negar a possibilidade   como tal e a só aceitar   [como categorias lógicas e ontológicas] a necessidade   absoluta [a saber aquela da "existência" de Deus mesmo] e a necessidade por outrem [quer dizer a necessidade relativa]. Mas o sábio admite a possibilidade, da qual conhece o escalão ontológico; evidentemente, a possibilidade [como tal] não o possível [no sentido disto que poderia existir ou não existir], e donde seria ela, pois é essencialmente necessária em razão de um [princípio] outro que ela. Mas enfim, donde vem então esta distinção entre ela e seu princípio que a torna necessária [e donde ela constitui precisamente uma possibilidade de manifestação]? Mas ninguém conhece a distinção da qual se trata salvo os conhecedores de Deus.

Burckhardt

Certains penseurs intellectuellement faibles, partant du dogme que Dieu fait tout ce qu’il veut, ont déclaré admissible que Dieu agisse contrairement aux principes et contrairement à ce qu’est la réalité (al-amr) en elle-même [c’est-à-dire, dans son état principiel — comme si la manifestation de Dieu ne procédait pas de possibilités éternellement présentes dans l’Être divin et dans l’Intellect universel]. De ce fait, ils sont allés jusqu’à nier la possibilité comme telle et à n’accepter [comme catégories logiques et ontologiques] que la nécessité absolue [à savoir celle de l’ « existence » de Dieu même] et la nécessité par autrui [c’est-à-dire la nécessité relative]. Mais le sage admet la possibilité, dont il connaît le rang ontologique ; évidemment, la possibilité [comme telle] n’est pas le possible [au sens de ce qui pourrait exister ou ne pas exister], et d’où le serait-elle, puisqu’elle est essentiellement nécessaire en raison d’un [principe] autre qu’elle. Mais enfin, d’où vient donc cette distinction entre elle et son principe qui la rend nécessaire [et dont elle constitue précisément une possibilité de manifestation]? Mais personne ne connaît la distinction dont il s’agit sauf les connaissants de Dieu.

Austin

Certain theorists of weak intellect, having agreed that God does what He wills, go on to state things about God that contradict Wisdom and the truth  . They go so far as to deny contingency as also selfsufficient and relative essential being. The one who truly knows confirms contingency and knows its plane  ; he knows what is the contingent and in what way it is so, even though it be in its essence selfsufficient [necessary] by virtue of something other than it, as also [he knows] in what way its [source] may be considered as “other,” when it makes it self-sufficient [necessary]. Only those possessing special knowledge of God understand this in detail.

Bewley

Some people who are weak of intellect think that since it confirmed with them that Allah does what He wills, they deem it admissible that He could contradict wisdom and what the matter is in itself. (19) Because of this, some of them go so far as to deny the possibility and affirm that which is necessary by essence and by other. The man who has achieved realisation, however, admits the possibility and knows its presence and knows what is possible and how it is possible, since in its source it is necessarily existent because of something other-than-it. From where is the name of other, which determines its necessity, valid for it? No one knows this distinction except those with particular knowledge of Allah.


Ver online : Excertos de e sobre "Fusus al-hikam"