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Axiocos

sexta-feira 25 de março de 2022

    

O Axiocos onde alternam narração, diálogo   e mito  , destaca-se do gênero   literário da «consolação  » praticado por Sêneca, Plutarco   e por Cícero  .; a obra conheceu uma grande fortuna   na Antiguidade  , em razão   de seu caráter dramático que se associa ao medo que se ampara de uma homem   ameaçado pela morte da qualidade   de sua argumentação e de seu estilo. Sócrates   anda pelas margens do Ilissos para ir ao Cinosargue, quando Clinias, acompanhado de Damon o músico   e Cármides  , lhe anuncia que seu pais   está doente e que vai provavelmente morrer  ; pede a Sócrates de ir ter com Axiocos, tio de Alcibíades. Quando Sócrates chega junto dele, o doente retoma forças, mas se lamenta. Para consolá-lo Sócrates desenvolve quatro argumentos e conta um mito explicando porque não se deve temer a morte. O primeiro argumento   lembra que o homem é sua alma  , e que seu envelope corporal só é fonte de misérias. O segundo argumento que Sócrates põe na boca do sofista   Prodicos, explica que a vida, cheia de misérias, não vale a pena   a quem a ela se apega; também os deuses se apressam dela liberar aqueles que apreciam. O terceiro argumento que Sócrates pretende também tirar de Prodicos, explica que a morte não pode afetar nem os vivos, pois não existe ainda para eles, nem os mortos que não mais existindo nada sentem. O quarto argumento associa a imortalidade da alma às realizações e aos conhecimentos humanos, pois nada disso não seria possível se não houvesse no homem algo de divino. Enfim, o mito contado pelo mago   Gobrias confirma estas conclusões. Axiocos que passa melhor, se torna sereno, e Sócrates pode ir passear no Cinosargue.

A inautenticidade do diálogo não traz dúvidas, pois encontram-se um conjunto   de argumentos contra o medo da morte que pertencem a diversas correntes filosóficas posteriores a Platão  . São argumentos estoicos   e sobretudo platônicos que convencem Axiocos, que permanece duvidando dos argumentos cínicos e epicuristas. O diálogo deve datar do fim da Nova Academia, ou seja segunda metade do século II aC. (Brisson  , Platon, oeuvres complètes)


Estrutura   dada por Léon Robin à versão francesa da obra completa de Platão: Platon : Oeuvres complètes, tome 2

  • Prólogo
  • O temor que inspira a morte é sem razão
    • O cadáver   é insensível
    • Cada idade da vida tem suas próprias misérias
    • Toda condição humana comporta vicissitudes
    • A morte é indeiferente: ou não se está morto ou se está morto
  • A felicidade   não existe senão depois da morte
    • Contradição inerente ào medo que ela inspira
    • A imortalidade da alma
    • Mito escatológico
    • Epílogo