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Gobry: dynamis

sexta-feira 25 de março de 2022

dynamis (he) / dynamis: potência, capacidade. Latim: potentia.

Do verbo dynamai: posso, sou capaz. Propriedade daquilo que, mesmo sendo atualmente passivo, pode:

  •  passar à ação; ou
  •  receber a ação de um agente.

    Definição do Ser segundo Platão  : "Aquilo que tem a potência de agir (poiein) sobre outro ou de sofrer a sua ação" (páskhein / paskhein) (Sofista  , 247d-e).

    Quatro sentidos:

  •  capacidade, propriedade, "virtude" (no sentido medieval: virtude dormitiva de certas plantas);
  •  faculdade mental;
  •  metafisicamente: potência passiva — fato de padecer, receber;

    — metafisicamente: potência ativa = capacidade de agir.

    Capacidade, "virtude". "A ciência (epistéme) tem certo objeto e possui uma virtude própria que lhe permite atingir seu objeto" (Platão  , Cármides  , 168b). As Essências eternas têm propriedades que só permitem comparação umas com as outras (Parmênides  , 150c-d).

    Faculdade mental. "As faculdades (dynámeis / dynameis) são alguma coisa dos seres graças às quais podemos fazer o que podemos." Em seguida, Platão   designa a ciência (epistéme) e a opinião (dóxa), mas também a visão e a audição (Rep.  ,V, 477c). Diz Aristóteles  : "Chamo de faculdades nossa possibilidade de sentir paixões [...], por exemplo cólera, ódio ou piedade" (Et. Nic, II, V, 2  ). Em outro lugar, as faculdades da alma são as potências nutritiva, desiderativa, sensitiva, locomotora, pensante (De an., 11,3).

    Potência passiva (oposta ao ato: enérgeia / energeia). E o sentido mais clássico a partir de Aristóteles  . "Chama-se dynamis a potência de movimento (kínesis) ou mudança (metabolé) num ser [...] A faculdade de ser modificado ou movido por outro" (Met., A, 12)."A potência passiva (exatamente: potência de sofrer: dynamis toû pathein) é, no ser passivo (paciente: ho páskhon), o princípio de mudança (arkhé metabolês) que ele está apto a receber de outro ou de si mesmo enquanto outro" (ibid., 0, 1). Na análise da sensação (aísthesis), Aristóteles   constata que esta pode ser vista de duas maneiras: em potência ou em ato, conforme nos coloquemos do ponto de vista da faculdade de sentir ou do objeto que causa a sensação (De an., II, 5  ). Em outro lugar (Met., 0, 5), Aristóteles   enumera três tipos de potência: as inatas, como os sentidos; as adquiridas pelo hábito, como a arte de tocar flauta; e as obtidas pelo estudo (máthesis). Plotino   dedica um tratado (II,V) à resposta a esta indagação: "O que quer dizer em potência e em ato?"

    Potência ativa (oposta à potência propriamente dita, ou seja, passiva). Para Platão  , a verdadeira causa (aitía), que é dynamis, é uma força divina (Fédon, 99c). As realidades do mundo sensível não têm poder (dynamis) sobre as realidades do mundo inteligível (Parmênides  , 133e). Nesse sentido, as artes — diz Aristóteles   — são potências de mudança em outro ser (Met., 0,1); v. enérgeia. Para Plotino  , o Uno (hén) é Potência, e fortemente Potência, pois é ele que produz todos os outros seres: ele é Princípio (arkhé) (V, II, 15-16). [Gobry  ]