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Gobry: pathos

sexta-feira 25 de março de 2022

    

páthos   (tó): paixão. Latim: passio, affectio, perturbatio. Plural: páthe (tá) / pathe (ta).

Esse termo tem dois   sentidos:

  •  Metafísico. É o contrário de ação ou, mais precisamente, não o sujeito   que pratica a ação, mas o objeto que a recebe.
  •  Psicológico. É o fato de sofrer  , de ser coagido e movido por uma força interior que escapa à vontade. Por isso, páthos é também sofrimento, dor  , tristeza; o termo páthe / pathe (aqui fem. sing.) tem exclusivamente esse sentido.

    A raiz grega path- encontra-se em latim, onde assume o mesmo significado; o infinitivo pati quer dizer sofrer, nos dois sentidos: ter sofrimento e permitir/receber  . Passio (tardio) abrange, por um lado, um sentimento   intenso e penoso e, por outro, um longo sofrimento físico: paixão pelo jogo  , Paixão de Cristo   ou dos mártires. Derivam do grego o termo moderno patético e os termos científicos patologia, patógeno, neurópata etc.; do latim,padecer, paciente, passivo, passional.

    Composto: apathés / apathes, impassível, que não é capaz de sofrer.

    Aristóteles opõe ação e paixão desde o tratado Das categorias  . Mas ele as designa com os infinitivos substantivados: tò poiein   / to poiein e tò páskhein / to paskhein, agir e sofrer (IX e X). Na Metafísica   (A, 21), páthos costuma ser traduzido por afeição  , ou seja, qualidade, estado   que afeta uma substância  .

    Foram os estoicos   que mais estudaram a psicologia da paixão: esta é má influência da sensibilidade sobre a razão  . Crisipo   a define como «movimento   irracional da alma  » (Arnim, Fragmenta veterum Stoicorum, III, 113); Zenão  , como «um movimento irracional (álogos / alogos  ) e contrário à natureza» (para physin  ). Esse fato de ser um movimento (kínesis / kinesis) a diferencia de outros estados de alma, como a doença   e o vício, que são afeições contínuas, enquanto a paixão é ocasional (Zenão, in D.L.,VII, 110; Cícero  , Tusc, IV, XIII, 30).

    Dois problemas apresentados pela paixão.

  •  Classificação. No Timeu   (69d), Platão enumera incidentemente cinco   paixões principais: prazer, tristeza, ousadia, medo, esperança  . Em sua Retórica, Aristóteles dedica doze capítulos do livro II a esse tema: um às paixões em geral, onze às principais: cólera  , brandura, amor e ódio, medo, vergonha  , beneficência, piedade  , indignação, inveja  , emulação. Os estoicos esmeraram-se na racionalização desse exercício, em seus múltiplos tratados Das paixões, em especial de autoria de Zenão, Crisipo, Aristão, Esferos, Hecatao, Herilo. A lista clássica parece ser a de Zenão e Hecatão (DL.,VII, 110), e provavelmente de Aristão, que lhe dava o nome de tetracórdio (Clemente de Alexandria  , Stromata, II, XX, 108): tristeza (lype), medo (phóbos / phobos  ), prazer (hedoné / hedone  ), desejo (epithymía   / epithymia).
  •  Valor   moral. Como o homem   é definido pela razão, e como a paixão é contrária à razão, ela se mostra contranatural e, de direito, é imoral. Foram especialmente os estoicos que mais se estenderam sobre esse fato. Mas as paixões vêm do exterior, do mundo sensível  , uma vez que não estão em meu poder; só se tornam condenáveis quando lhes dou meu assentimento   (Epicteto  , Leituras, III, XXIV, 20-24; IV, I, 82, 85 etc; Cícero, Tusc, II, XXV, 61; III, XXIX, 72; etc). [Gobry  ]