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zoon

sexta-feira 25 de março de 2022

    

zôön: ser vivo, animal  

1. Embora Anaximandro   tenha algo parecido com uma teoria   da geração espontânea (Diels 12A10, 11, 30: os peixes gerados da ação do sol sobre os limos úmidos; os homens nascidos dos peixes; sobre a primazia dos peixes, confrontar Fílon  , De opif. 65-66), Empédocles   tem a zoogonia mais completa dos pré-socráticos   (passo sumário em Aécio V, 19, 5; frgs. 57-62). A zoogonia de Platão   pode encontrar-se   no Timeu   onde os animais inferiores evoluem de maneira concordante com a sua primeira teoria da palingenesia   (Timeu 91d-92c). Aquilo que são esboços e comentários nos primeiros pensadores torna-se, em Aristóteles  , uma ciência, elaborada em toda uma série de tratados, e particularmente, o De generatione animalium.

2. Uma característica do tratamento aristotélico é a famosa scala naturae, ligação graduada de todas as formas de vida encontradas na Hist. anim. 588b-589a (ver sympatheia   3). No topo da série está o homem   que tanto Platão (Timeu 90a-c) como Aristóteles (Pol. 1253a, 1332b) tenderam a separar do resto dos seres animados em virtude de   ele possuir uma faculdade racional (noûs  ) que era não-material. O primeiro materialismo estoico tendeu a esfumar esta distinção, mas um movimento   platonizante posterior   dentro da escola voltou a separar o noûs da psyche   (ver noesis 17) c os resultados podem observar  -se nas distinções nítidas feitas entre os instintos animais e a razão humana (Sêneca, Ep. 121, 19-23) e na consequente ausência   de moralidade em relação a ou no reino animal (Cícero  , De fin. III, 67; Fílon De opif. 73).

3. Mas se houve uma diferença   entre o material e o espiritual que efetivamente separou os homens dos animais, houve também uma ligação entre os dois   domínios. Em termos da teoria platônica da mimesis   o mundo sensível   era um reflexo (eikon  ) do espiritual. Mas o mundo sensível   não era meramente uma coleção   de partes animadas ocasionais; foi visto, desde os verdadeiros começos da filosofia grega, como uma espécie de todo ordenado, um kosmos dotado de movimento e portanto de vida. Esta foi a opinião   primitiva de Anaxímenes   (Aécio I, 3, 4) e dos primeiros pitagóricos (ver Aristóteles, Physica IV, 213b), e esta é ainda a opinião de Platão que chama ao kosmos visível   que abarca todos os seres vivos um animal (zoou; Timeu 30b) com alma (ver psyche tou pantos). Este, por seu turno, tem um modelo, um «ser vivo inteligível» (zoon   noeton) que abrange dentro de si todas as criaturas inteligíveis (ibid. 30c-d). Quando passa a descrever as classes paralelas dos zoa contidas dentro do animal sensível e inteligível ele apenas menciona quatro: a raça   celeste de deuses, as coisas aladas, os animais aquáticos, e aqueles que habitam na terra   seca (ibid. 39e-40a; com a introdução do aither   passam a cinco   no Ephiomis 984b-c). Na tradição   platônica posterior estes animais inteligíveis crescem e multiplicam-se. Fílon, por exemplo, confrontado com os dois relatos da criação no genesis  , pode explicá-los como a criação do mundo sensível e do inteligível, e não fica de modo algum embaraçado com a perspectiva de ter «erva inteligível» e «erva sensível» (De opif. 129-130; Leg. all. I, 24). Plotino   traça também em pormenor a conformidade entre os zoa inteligíveis c os sensíveis (Enéada VI, 7  , 8-12).

Sobre o mundo inteligível, ver kosmos noetos; e para os seus conteúdos, noeton; e ainda, sobre o kosmos como um organismo vivo, as rubricas sympatheia, holon  . [Termos Filosóficos Gregos, F. E. Peters  ]