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symbebekos

sexta-feira 25 de março de 2022

    

symbebekos: acompanhamento, acidente (lógico), acontecimento   acidental (ver tyche  )

1. A história primitiva da realidade ontológica que está por trás da noção   de symbebekos   foi desenvolvida nos domínios da qualidade   (poion; ver também dynamis  ). Radical nesta teoria   foi Demócrito que estava inclinado a negar às qualidades qualquer existência objetiva (D. L. IX, 72; Sexto Empírico, Adv. Math. VII, 135), enquanto que Platão enunciava um ponto de vista arcaico quando as hipostasia (o modo supra-sensível   de hipostasiação representado pelos eide era, evidentemente, muito diferente do dos seus predecessores). Platão estava, não obstante, conscientizado da diferença   entre as coisas e as qualidades das coisas e desvia-se do seu caminho   para corrigir a reificação pré-socrática geral das qualidades (Timeu   49a-50a; ver genesis  , pathos  ).

2. Os comentários de Platão ocorrem num tratado sobre este mundo sensível   das coisas materiais; a análise que Aristóteles faz do mesmo fenômeno encontra-se nas suas obras de lógica   e assim as ênfases são completamente diferentes. A distinção entre uma coisa e a sua qualidade é alargada para abranger a distinção entre uma coisa ou sujeito   (hypokeimenon) e o seu atributo ou acompanhamento (symbebekos). Este é definido como algo que «pertence a uma coisa, não por necessidade   ou pela maior parte... mas aqui e agora» (Metafísica   1025a). Ao contrário de genos   ou da definição, não exprime a essência   (ti esti  ) de uma coisa nem, como a propriedade (idion  ), está necessariamente ligado a esse sujeito (Top. I, 102b). Dado que não há necessidade (eles podem ser diferentes) em tais seres acidentais, segue-se que não pode haver demonstração (apodeixis  ) e, logo, conhecimento científico (episteme  ) neles baseado (Anal. post. I, 75a-b; Metafísica 1026b). O symbebekos é um dos «predicáveis» (ver idion).

3. Ter-se-ia pensado que Epicuro   aderiria ao ponto de vista atomista de Demócrito e restringiria toda a realidade aos átomos e ao vazio   (kenon). Mas uma vez que aceitou a sensação (aisthesis) como critério infalível de verdade, ele não pode remontar à convenção   (nomos) como a origem   das qualidades sensíveis. E assim Epicuro tem uma teoria dos acidentes completamente desenvolvida (ver D. L. X, 68, 69). Estas qualidades perceptíveis, e logo corpóreas, que aderem aos corpos podem ser divididas, como em Aristóteles, naquelas que estão necessariamente ligadas à natureza dos corpos e assim sempre presentes num corpo e naquelas que acontecem a um corpo de tempos a tempos. À primeira categoria, o idion aristotélico, chama Epicuro symbebekos, invertendo precisamente a nomenclatura aristotélica. Para o segundo tipo de qualidades ele inventa o novo termo «acidente» (symptoma). Exemplos de symptomata são as qualidades sensíveis dos corpos compósitos (Plutarco  , Adv. Col. 1110) e a sensação é sempre um symptoma do «elemento   não nomeado» presente   na alma   (D. L. X, 64; ver holon  , psyche). Há entidades ainda mais complicadas, como o tempo, que não podem ser descritas senão como «acidentes de acidentes» (ver chronos  ).

4. Os estoicos   mantiveram a doutrina aristotélica do sujeito e dos acidentes mas numa forma alterada. A distinção entre um sujeito e os seus atributos é mantida (SVF II, 369), mas os atributos são reduzidos a três: qualidade, estado   e relação, os últimos presumivelmente atributos do princípio ativo primário do universo, o lagos (D. L. VII, 134; ver logos  , paschein  ). [Termos Filosóficos Gregos, F. E. Peters  ]