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harmonia

sexta-feira 25 de março de 2022

    

harmonía: mistura de opostos  , harmonia  

1. A descoberta, geralmente creditada a Pitágoras  , da redução dos intervalos musicais a razões matemáticas teve um efeito extraordinário no desenvolvimento da filosofia grega: primeiro sugeriu que o número   era o princípio constitutivo de todas as coisas (ver arithmos); era usada para explicar as misturas (ver holon  ); provavelmente gerou a teoria   da psyche   como harmonia de opostos, descrita por Platão  , Fédon   85a-86d (refutada por Sócrates  , 91c-95e), e Aristóteles  , De anima I, 407b-408a (ver psyche). Mas quer a linguagem dos relatos platônicos, quer a dos aristotélicos sugere que a harmonia é, não tanto um conceito matemático-musical, mas deve mais à teoria médica (Alcméon? ver Aécio, V, 30, 1). Qualquer tentativa para fundar uma teoria da alma na harmonia dos opostos físicos vai, certamente, conduzir à negação da imortalidade   da alma; é certo que Pitágoras sustentou a imortalidade da alma (ver psyche, palingenesia  ) e assim é muito mais provável que a sua teoria da harmonia fosse mais matemática do que física.

2. Outra linha da teoria da harmonia conduz à extensão   do conceito de razão   tanto ao som   como às distâncias dos planetas e ao desenvolvimento da doutrina   da «harmonia das esferas» incorporada por Platão no seu «Mito   de Er» (Republica   617b), e descrita por Aristóteles, De coelo II, 290b-291a e Cícero  , Somn. Scip. 5. As implicações éticas podem ser vistas nas noções de katharsis   e sophrosyne  , na descrição platônica da «vida misturada» no Phil. 64a-66a (ver agathon  ), na doutrina aristotélica do «meio» (ver meson  ), e em teorias antigas sobre a natureza do prazer físico (ver hedone  ); para a teoria da «harmonia», de Heráclito  , ver logos  . A «harmonia» pitagórica faz parte da educação   do filósofo em Platão, Republica VII, 530c-531c, onde há passagem ao estudo da dialektike   (confrontar Timeu   47c-d e ver psyche tou pantos). Para a fórmula da ética estoica «em harmonia com a natureza», ver nomos. [Termos Filosóficos Gregos, F. E. Peters  ]


harmonía (he) : harmonia. Latim: harmonia. Qualidade   de ordem   e organização inerente ao cosmos.

Esse termo já é abundantemente encontrado nos pitagóricos. Para eles, o conjunto   dos seres é estabelecido de acordo com a harmonia (DL., VIII, 33; Hipólito  , Contra as heresias, I, II, 13); as relações entre os números constituem harmonias (Aécio, I, III); a alma humana é uma harmonia (Filolau, fr. 13; Macróbio, Sonho   de Cipião, I, XIV, 19); a justiça é uma harmonia da alma (Ateneu, IX, 54), assim como a virtude em geral (D.L.,VIII, 33).

Heráclito professa uma harmonia dos contrários (fr. 8 e 10); mas é uma harmonia oculta (fr. 54). Assim também, para Nicômaco (Aritmética, II): «A harmonia é universalmente a concordância dos contrários.»

Também em Platão, o mundo é um conjunto harmonioso (Epínomis, 991e), organizado pelo Demiurgo   (Timeu, 56c). Mas, sobretudo, a virtude é a harmonia da alma (Laques  , 188d; Timeu, 90d) e a justiça é a harmonia das virtudes (Rep., IV, 443); a vida política é resultante de uma harmonia entre governantes e governados (Rep., IV, 430e). Quanto à música  , deve esforçar-se   por imitar a harmonia divina (Timeu, 80b).

Os estoicos   empregaram muitos sinônimos para designar a harmonia do mundo: diakósmesis / diakosmesis (D.L.,VII, 158); symphonía / symphonia (Epicteto  , Leit., I, XII, 16); diátaxis / diataxis (ibid., XII, 17); sympátheia   / sympatheia (ibid., XIV, 1); episyndesis (Marco Aurélio  ,VI, 38); syndesis (ibid., VII,9): hénosis kai táxis   / henosis   kai taxis, união e ordem (ibid., VI, 10).

Também para Plotino  , o mundo, esse «ser vivo inigualável», está em simpatia (sympathés / sympathes) consigo mesmo; ou então está de acordo (symphronos) consigo mesmo. Ele é ordem: táxis / taxis (IV, IV, 35). [Gobry  ]