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genos

sexta-feira 25 de março de 2022

    

génos: espécie, gênero  

Genos é geralmente usado em Platão   como sinônimo de eidos  , v. g., Soph. 253b, e noutros lugares como «tipo», aproximando-se do genos aristotélico, v. g. Teeteto   228e e Soph. 253d, onde a dialética tem que ver com a divisão   das formas de acordo com a «espécie» (genos); comparar a «reunião» (synagoge  ) numa «forma» genérica, Fedro   265d, mas isto é ainda provavelmente mais ontológico do que predicacional. Genos aristotélico: Aristóteles  , Top. 102a-b, 120b-128b. Para Aristóteles as kategoriai são os gene do ser (De anima   II, 412a), os summa genera que não podem ser subsumidos a nada mais geral (ver Anal. post. II, 100b, Metafísica   1014b). No Soph. 254d Platão discutiu «os gene mais importantes» (Existência (ousia  ), movimento  , repouso, mesmidade  , diferença  ; ver eidos, psyche tou pantos), e Plotino  , nas Enéadas VI, 1-3, ao que parece combinou estes gene com os modos   aristotélicos de predicação (kategoriai) e criou os gene do ser; ver eidos, diaphora, katholou  . [Termos Filosóficos Gregos, F. E. Peters  ]


génos (tó) / genos: gênero. Latim: genus. Plural: gene (ta) / gene.

Do verbo gígnomai / gignomai  , nasço, venho a ser, existo. No primeiro sentido, génos é raça  , gênero no sentido de gênero humano. No segundo sentido, filosófico, designa um mesmo gênero de seres.

Esse termo, pouco definido, compreende de qualquer maneira: ou um grupo de seres humanos, pelo sangue   e pela função: «a raça dos deuses» (Platão, Fédon  , 43b); ou um conjunto de seres: Platão opõe dois   gêneros de produção: as produções da natureza, que podemos dizer divinas, e as da arte humana (Sofista  , 25 6e); ou (e chegamos à filosofia) uma essência (metafísica) ou um gênero (lógico).

Em Timeu   (39e-40a), Platão distingue quatro espécies de viventes: a dos deuses, a dos pássaros, a dos peixes e a dos viventes terrestres; em República   (V, 477c-e), são gêneros de faculdades   mentais (dynámeis). Mais séria é a distinção dos cinco   gêneros supremos no Sofista   (254b-256d), ao mesmo tempo metafísica e lógica  : Ser (ón  ), repouso (stásis  ), movimento (kínesis), o mesmo (auto) e o outro (héteron). v. todas essas palavras. Aliás, Platão designa também esses diferentes gêneros com a palavra eidos (essência e espécie).

Aristóteles dedica uma nota à palavra génos em seu pequeno vocabulário filosófico (Met., A, 28), no qual ele atribui a essa palavra todos os sentidos correntes: raça, espécie, essência. Em Categorias   (V), coloca o termo na nota dedicada à substância (ousía), pois distingue a substância primeira (próte), que é o indivíduo  , e a substância segunda (deútera), essência, gênero ou espécie (eidos); ora, a espécie está submetida ao gênero (o gênero é comum às espécies) e assim está próxima (menos segunda) da substância primeira. Em Física (I, 6), considera a própria substância um gênero do ser (génos toû óntos). Em Tópicos (I, 4-5), Aristóteles põe o gênero entre os predicáveis, ou seja, os objetos sobre os quais versa o raciocínio  , com a definição (hóros), o próprio (ídion) e o acidente (symbebekós); e define o gênero como: «Um atributo que pertence essencialmente a várias coisas especificamente diferentes.»

Plotino escreveu três tratados sobre os gêneros do Ser: Peri genôn (VI, I, II, III). O primeiro é uma crítica minuciosa das dez   categorias de Aristóteles, que são afastadas como gêneros; o segundo é uma análise dos cinco gêneros supremos de Platão, que são adotados; o terceiro é uma aplicação das categorias ao mundo sensível  , onde tampouco encontram graça  .

Porfírio   publicou um opúsculo famoso, chamado Isagoge (eisagogé), ou seja, introdução às Categorias de Aristóteles. Os cinco «predicáveis» são: gênero, espécie, diferença, próprio, acidente; v. kategoría. As espécies (eíde) são subordinadas aos gêneros, ao mesmo tempo que têm diferenças entre si; assim, uma definição (horismós) deve ser feita pelo gênero e pela diferença específica. De modo mais sutil  , ela deve recorrer à imbricação entre gêneros e espécies; e a árvore de Porfírio, com o seguinte exemplo:

Substância (= gênero supremo) → corpos → corpo animado → animal   → animal racional → homem   (espécie especialíssima) → Sócrates   (indivíduo).

Entre o gênero supremo e o indivíduo, pode-se chamar cada conceito de espécie, porquanto contido no gênero superior, e de gênero, porquanto contém a espécie inferior  .

Sexto Empírico dedicou-se a acrobacias erísticas para contestar as noções de gênero e espécie (Hipot., II, XX). [Gobry  ]