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epagoge

sexta-feira 25 de março de 2022

epagôgé: levar a, passar a, indução (socrática, aristotélica; para a «indução» platônica, ver synagoge)

1. Aristóteles  , num passo em que descreve a origem da teoria das Formas, faz notar que Sócrates   foi o primeiro a empregar «argumentos indutivos» (epaktikoi logoi; Metafísica 1078b). Mas compreender os epaktikoi no sentido de uma «indução» (epagoge) aristotélica é provavelmente um engano, visto que nem a método logia de Sócrates   nem a terminologia de Platão apontam para um uso estritamente aristotélico. A desenvolvida epagoge aristotélica é definida, nos seus termos mais gerais, como «o passar dos particulares ao universal (katholou) e do conhecido ao desconhecido» (Top. vm, 156a).

2. Platão usa epagein num sentido semelhante a este (Pol. 278a), mas o seu uso mais vulgar é no sentido de «citar» ou «aduzir» (ver Republica   364c, Leis 823a). Nos diálogos mais intimamente associados com o Sócrates   histórico há frequente confiança nos casos individuais, mas eles são citados quer para fins de refutação ou correção (ver Republica   331e-336a) quer para estabelecer analogias (ver Xenofonte, Mem. III, 3  , 9), em ambos os casos uma espécie de modelo de prova que faz parte do método socrático do elenchos (ver aporia, katharsis) e que por meio de hábil emprego podia eventualmente atingir a definição, ou, ainda, acabar simplesmente na aporia (ver Teeteto   210b-d).

3. O que Aristóteles   importa de mais fundamental da epagoge é o seu papel de pedra angular de todo o conhecimento científico (episteme). É através de uma indução das experiências individuais dos sentidos (aisthesis) que obtemos o conhecimento tanto do conceito universal (katholou) como da proposição universal (arche), e são estas últimas que servem de premissas não demonstráveis de toda a demonstração (Anal. post. II, 99b-100b; ver Metafísica 980a-981a). Esta epagoge não é um processo discursivo e, ao contrário da indução completa, não pode ser reduzida a um tipo de silogismo; é antes uma compreensão intuitiva do espírito que Aristóteles   designa de nous e que é tão digna de confiança como a própria demonstração.

4. O ponto essencial da epagoge aristotélica é que o universal está dentro dos limites materiais dos dados dos sentidos individuais (Physica I, 184a), e é por exposições repetidas a esta experiência dos sentidos que o espírito chega à compreensão da mais alta inteligibilidade do universal (Anal. post. I, 87b-88a). Mas em virtude da sua íntima relação com a sensação, a indução permanece mais convincente e mais popular no seu apelo (Top. I, 105a; comparar gnorimon).

5. Há, finalmente, outro tipo de indução que Aristóteles   trata com certo desenvolvimento, a indução perfeita ou o exame de todos os casos de uma proposição geral (Anal. pr. II, 68b). Mas aqui está a tratar da redução da indução à forma silogística, algo que pode alcançar somente por meio de uma indução perfeita. [F  .E. Peters  , Termos filosóficos gregos]