Página inicial > Antiguidade > Absoluto

Absoluto

sexta-feira 25 de março de 2022

VOCABULÁRIO DA FILOSOFIA: ABSOLUTO

Em gr., to apoluton, o isento de relação, de limitação, de dependência. É o contrário de relativo.

a) Ser absoluto é, pois, o que existe em si e por si, o que não tem relação de dependência com nenhum outro. Neste sentido, não é causa, porque esta só o é em relação com o efeito. Daí concluir-se que ele é o ser único, como o afirmam os monistas (Parmenides  , Espinosa  ), concluindo uns ainda pela ininteligibilidade do ser absoluto (relativismo, fenomenalismo), e outros pela sua incognoscibilidade (agnosticismo).

b) É o ser que não necessita de nenhum outro para existir, que não existe por uma relação com outro, mas que pode ter relações com outros. Este ser pode ser causa: causa primeira. Independente por si, mas os outros dele dependem (como na escolástica).

Também são absolutos os seus atributos. Afirmam muitos que os Cartesianos e Cousin não fazem nenhuma distinção entre absoluto e infinito. Hamilton dá duas espécies antitéticas do gênero incondicionado, como sejam: o infinito é o incondicionamento ilimitado; o absoluto é o incondicionalmente limitado (Goblot).

A ideia de absoluto exclui a ideia de Infinito, quando aceitamos uma coisa como determinação de si, por ex.: to holon, to teléion de Aristóteles  . Uma pouca de água é absolutamente pura, não infinitamente pura (Stuart Mill). Concebe-se uma justiça absoluta, uma proposição absolutamente verdadeira, uma demonstração absolutamente convincente, não uma justiça infinita, uma prova infinita. Se, pelo contrário, a aplicamos a uma coisa, que não envolve necessariamente a ideia de limite então a ideia de Absoluto não se opõe à ideia de Infinito: a potência absoluta é a potência suprema, a potência sem, limites, a potência infinita, como afirma Goblot.

c) Baldwin, toma-o como sinônimo de independente, incondicionado, necessário.

d) Emprega-se, frequentemente, com os característicos acima: independente, não relativo, absoluta (inerente) necessidade. Númeno (noumenon), na terminologia kantiana, é um valor absoluto (inerente, incondicionado).

e) Como substantivo: 1) o universal, como totalmente compreensível: isto é, incluindo todas as possíveis distinções; 2) como imediato; isto é, afastado de todas as definições ou distinções; por isso implica necessariamente negação. Esta última acepção é a do absoluto como númeno (ou incognoscível para os que consideram o conhecimento uma relação, no qual o objeto, como constituído, é ipso facto fenomenal); 3) como primeira causa, primum movens, natura naturans, é relativamente absoluto.

Na filosofia moderna, no neo-hegelianismo ou no Idealismo absoluto e no panteísmo, é tomado no sentido a; e no sentido d, no Kantismo e no Agnosticismo; e em sentido e, no realismo epistemológico, no materialismo, no espiritualismo e no teísmo.

Para os metafísicos monistas. é considerado íntegro em si mesmo, compreendendo toda a realidade. Não há nenhuma realidade fora dele. As partes não negam o todo. Em suma, para esta concepção, o absoluto é o uni. verso integral, como se vê no idealismo absoluto de Fichte  , de Schelling   e de Hegel  .

f  ) No sentido de Hamilton e Spencer é o que está fora das relações, e se aproxima, assim, do conceito aristotélico.

Na história da filosofia, absoluto aparece como o Ser, em Parmenides  ; a Forma do Bem, em Platão  ; o ato puro, em Aristóteles  ; o Uno, nos Pitagóricos e em Plotino  ; a substância, em Spinoza  ; a coisa em si, em Kant  ; o Eu, em Fichte   (e também em Berkeley  , e nos solipsistas); o Espírito absoluto, em Hegel  ; a indiferença do sujeito e do objecto, em Schelling  ; a suprema vontade de potência, em Nietzsche  ; a energia, em Ostwald; o Inconsciente, em Hartmann  ; o Incognoscibile, em Spencer; a matéria, nos materialistas.

O enunciado do absoluto só se poderia fazer por negações, por exclusões. É definível por exclusão todos os caracteres, todos os atributos. Por outro lado, é irredutível.

g) O absoluto como totalidade do relativo, a soma total, o tudo no todo (to pan).

h) Designa, em regra geral, a antinomia do relativo.

i) Para Littré, é sinônimo de a priori.

Segundo o sentido vigorante no século XVIII: o que não era relativo. Ideias absolutas são as que, segundo a metafísica, não sobrevêm pela experiência. (Lalande  ).

j) Segundo Warren, característica de um objeto ou fenômeno por si mesmo, como distinto de suas relações para com outros objetos ou fenômenos.

Juízo absoluto: juízo comparativo, no qual, como resultado de prévias experiências com as séries apresentadas de estímulos como um todo, o primeiro membro de una par é avaliado relativamente ao segundo, antes de que o último seja apresentado atualmente.