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Diálogos suspeitos e apócrifos

sexta-feira 25 de março de 2022

    

Segundo Brisson   existem cerca de dezesseis textos ou conjuntos de textos que ao longo do tempo foram atribuídos a Platão  . Por que traduzir e comentar estes textos? Poque eles constituem uma testemunha inestimável sobra a história da tradição   platônica, notadamente no quadro da Antiga Academia (268-68 aC) que a segue, períodos essenciais para a história do platonismo, mas sobre as quais dispõe-se de poucas informações. O Segundo Alcibíades  , o Clitofon, o Epinomis   e o Minos   se apresentam como as primeiras interpretações de diálogos platônicos, a saber o Primeiro Alcibíades  , a República   e as Leis. O outros abordam temas muito discutidos na época helenística; o Halcion trata da providência divina que administra o mundo; Axiocos, que pertence ao gênero   da «consolação  », desenvolve uma série de argumentos destinados a acalmar o medo da morte; o Demodocos se interroga sobre as questões de senso comum  , a deliberação   e a persuasão  ; o Erixias coloca uma série de questões sobre a riqueza  , sua significação e seu uso; o Hiparco tenta definir   a rapacidade; «Sobre o justo» assim como «Sobre a virtude» abordam temas muito debatidos na época helenística; os Rivais investigam uma definição da filosofia; o Sísifo se interroga sobre a possibilidade da deliberação em comum (e logo da política); e enfim, o Teages sobre a educação  . Lendo estes textos, encontra-se uma problemática filosófica que era aquela da época helenística, mas tratado em uma perspectiva platônica onde se fazia sentir a influência do estoicismo  , do epicurismo e sobretudo do ceticismo. Como só nos resta fragmentos dos filósofos platônicos da época, compreende-se o enorme interesse   que representam os diálogos duvidosos e apócrifos   para um historiador do platonismo. Eles nos fazem com efeito conhecer os temas filosóficos abordados pelo movimento   platônico, mas também e sobretudo o tipo de argumentos desenvolvidos na Antiga Academia, onde se impôs, contra os defensores de Aristóteles  , um dogmatismo assimilando ou identificando as realidades inteligíveis a números, e sobretudo na Nova Academia onde, contra os estoicos, se estabeleceu um probabilismo que punha em causa   todo critério de verdade tendo por objeto o mundo sensível  . Os diálogos duvidosos e apócrifos nos permitem estabelecer uma ligação entre o platonismo literário e dialético da época de Platão e da Academia e o dogmatismo escolástico deste renascimento que se desenvolveu no século I de nossa era, e que foi qualificado de Médio   Platonismo pelos historiadores modernos. A estes diálogos, deve-se adicionar alguns Epigramas   que devem fazer prova do talento literário de Platão, e uma coletânea de definições que deveria servir ao ensinamento. (Brisson, PLATON, OEUVRES COMPLÈTES)