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Kingsley: Poema de Parmênides - 2

quinta-feira 24 de março de 2022

      

Resumo de KINGSLEY  , Peter. Reality. Inverness: The Golden Sufi Center, 2003, p. 60-63.

Sem sentido é o que este fragmento soa. E sem sentido é o que ele é, porque nada há aqui que tenha que ver com nosso mundo familiar dos sentidos. O que Parmênides   está dizendo vem de outro mundo.

As pesquisas arqueológicas na cidade natal de Parmênides, Velia, indicam sua associação aos chamados iatromantis e aos procedimentos de iniciação   destes curandeiros-profetas como seguidores de Apolo. A linguagem dos iatromantis é uma forma de expressão   em charadas, assim como os oráculos de Apolo eram sempre sobre a forma de charadas.

Ao mesmo tempo   era prática se utilizar expressões dos grandes do passado  , como Homero   ou Hesíodo  . Assim a expressão "um caminho   do qual nenhuma notícia retorna", significaria algo muito específico para qualquer grego daquela época. Naqueles dias ouvir   notícias sobre alguém era considerado prova de que a pessoa   estava viva. O silêncio   dizia morte; e na poesia de Homero qualquer um sobre "nenhuma notícia retorna" era simplesmente alguém que se assumia estar morto.

Por esta razão   o caminho do "não é" de Parmênides, do qual nenhuma notícia retorna, é o caminho levando ao silêncio da não-existência e morte. Se a isto adicionarmos que para os gregos, assim como para nós, "não ser" é um modo velado mas autoevidente de referir à morte, e teremos a figura completa.

Parmênides foi conduzido ao submundo, pelo caminho da morte, e da deusa   que o acolhe recebe a mensagem a ser trazida a respeito dos dois   caminhos. Caminhos estes já reconhecidos pela antiga iniciação dos seguidores de Apolo: um caminho que conduz à vida real  , à verdade   (aletheia) e outro que conduz ao esquecimento   (lethe) e morte, a se sucumbir no silêncio da não-existência.


Ver online : PARMÊNIDES