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Veículo da Alma

sexta-feira 22 de julho de 2022

    

Nenhuma doutrina clara do veículo da alma   parece emergir dos escritos de Plotino  . Algumas colocações poderiam estar se referindo a esta doutrina, que era de seu conhecimento, pois esta circulava em sua época. Em Enéada III, 5, 6 Plotino discute a possibilidade de demônios possuindo corpos aéreos ou sutis (uma concepção provavelmente baseada em Leis 898e10-899a2, como Dodds sugere); em Enéada IV, 3, 9, onde Plotino distingue dois   métodos pelos quais a alma entra no corpo: metempsicose e «entrada de um corpo aéreo ou sutil em um corpo terreno»; em Enéada II, 2, 2, onde «o pneuma   ao redor da alma» é dito mover-se   em um círculo  , mas esta passagem provavelmente se refere a Timeu   79a5-e9 e sua discussão da respiração, como acredita Arsmtrong.

Assim parece que se Plotino sabia desta doutrina, não se interessava. Mais algumas citações das Enéadas o demonstram. Por exemplo, o começo problemático em Enéada I, 9, 1 (a respeito de suicídio  ). De acordo   com Psellus, as palavras de abertura de Plotino derivam dos Oráculos Caldaicos. Lewy argumenta que Psellus leu incorretamente sua fonte   (Proclus  ), que provavelmente atribuiu os Oráculos aos órficos. Dodds acredita que as palavras de Plotino são pitágóricas e que Plotino nada sabia dos Oráculos Caldaicos. Armstrong   está inseguro «se Plotino está citando os Oráculos ou se os Oráculos tomaram de Plotino». Em resposta  , des Places, em sua edição dos Oráculos Caldaicos, aponta que os Oráculos foram escritos muito antes dos escritos de Plotino, mas admite que as palavras em Psellus não se ajustam à métrica dos Oráculos. Em defesa da fonte Caldaica de Plotino, Finamore   afirma: (1) não há outro caso paralelo de Psellus citando equivocadamente os comentários de Proclus aos Oráculos; (2) não há nada nos Oráculos com o que Plotino discorde, de modo que se houve para ele algo desconcertante nos Oráculos, Plotino ainda assim não se objetaria a citar esta fonte; (3) Plotino provavelmente veio a contactar as crenças caldaicas de seus estudantes, como no caso de certos escritos gnósticos.