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Mundo Inteligível

quinta-feira 24 de março de 2022

    

O que é o mundo inteligível  ?

Sempre insatisfeito com o que ele próprio   era, Plotino   ambicionava um excelsior, um ápice não mais ultrapassável. A esse lugar Plotino sentia-se impulsionado por um instinto natural. "Mas que lugar é esse?" pergunta ele (En. V, 9,2, 1. E responde: "É o lugar invisível  " (aóratos tópos: En. V, 8, 10,5), sem extensão   espacial, o qual só é conhecido pelo intelecto  . O Uno   (Hén) (= Deus  , Bem, Supra-Ser  , Beleza), o Espírito   ou Inteligência (= Noûs = hèn pollá) e a Alma do Mundo   (Psychê - hèn kai polia) compõem o universo   inteligível, as três hipóstases ou a tríade plotiniana, a qual foi interpretada como Trindade   cristã por Eusébio de Cesareia, por Teodoreto de Ciro e Cirilo de Alexandria. Basílio de Cesareia e Agostinho não aceitaram essa interpretação   concordista.

Quanto ao modo de conhecer esse tópos ánô, Plotino assume quatro posições. Vejamo-las. A primeira é apriorística ou dogmática, sentenciando peremptoriamente, sem admitir, pelo assim dizer, discussão. Impõe uma verdade  . Exemplos abundam, com o emprego dos verbos dei  , anánkê   esti (= é necessário) ou ouk dynaton (= é impossível). Assim temos:

a) "O Uno   existe necessariamente" antes de tudo (dei pró pántôn hèn einai  : En. III, 9, 7-8).

b) "Se existe o múltiplo, é mister que antes exista um" (ei pollà anánkê prohypárchein hén: En. VI, 6, 13, 17-18).

c) "Não é possível existirem muitas coisas, não existindo o um" (ou dynatai gàr pollà, mê henòs óntos: En. V, 6, 3, 2).

d) Também quanto à segunda hipóstase, Plotino é categórico: "Noûn einai anánkê"- (é necessário que exista o Noûs: En. V, 4, 2, 2). (Excertos de "Plotino, um estudo das Enéadas", de R. A. Ullmann  )