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Anaxímenes

quinta-feira 24 de março de 2022

    

Quase nada se sabe da sua vida. Natural de Mileto, o seu acme teria ocorrido em 546 e viria a falecer em 528. Discípulo e amigo de Anaximandro  , teria escrito um livro em dialecto jônio. Como Anaximandro, afirma que a substância   fundamental é una e indefinida, e, para ele, determinada, o ar (13 A 5). Sendo o mundo um ser vivo, o ar é-lhe necessário, como ao homem   que respira. «Como a nossa alma  , sendo ar (aer  ), nos sustenta, também um sopro (pneuma  ) e um ar envolvem o mundo inteiro (13 B 2). Existe, pois, como para os Pitagóricos, estreito paralelismo entre microcosmo e macrocosmo.

Anaximandro tinha constatado, mas não explicado, a transformação   dos entes uns nos outros. Anaxímenes   apresenta como explicação a rarefacção e a condensação, por meio das quais tudo nasce do ar. A rarefacção engendra o arrefecimento, o vento, as nuvens, a água, a terra   e as pedras. Ainda aqui uma questão se levanta: estamos perante uma explicação física ou face a uma visão   vitalista, e quase romântica, que explica a vida do universo   a partir de ritmos de sístoles e diástoles? Talvez, uma vez mais, a riqueza   da mensagem de Anaxímenes consista em nos deixar na ambiguidade  , verdadeira imagem da nossa condição.

Parece que, durante muito tempo  , Anaxímenes foi considerado o filósofo jônio por excelência  . Os últimos representantes da escola jônia foram Hípon, Ideu de Himera, de quem se sabe muito pouco, e, sobretudo, Diógenes de Apolônia [1], que retomou a doutrina de Anaxímenes de que o ar é o princípio de todas as coisas, mas acrescentou que é também o elemento   da alma do universo e tem, por consequência, afinidades com a alma dos animais e do homem. (Jean Brun  , "Pré-Socráticos  ")


[1É também incluído entre os Atomistas ou entre os Pitagóricos.