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Balyani (TU) – Tratado da Unidade

domingo 21 de agosto de 2022

    

Roberto Pla

El motivo, o hilo conductor del «Risalatul», es un «adith», o dicho célebre del Profeta  : «Quien se conoce a sí mismo  , conoce a su Senor», que sirve de pie para afirmar la identidad de aquello nombrado como «el Señor» y el sí-mismo real. El proceso dialéctico seguido es de primer orden y revela en su autor una inteligência   constructiva poco común. Pero a esta capacidad intelectual hay que sumar algo muy importante y es que tal claridad de expresión y tal seguridad en la exposición de un esquema místico  , sin perderse en ningún momento en una afirmación descuidada de dualismo  , denota al hombre que ha realizado la Unidad, pues sólo desde esa altura conquistada y vivida cotidianamente es posible discurrir sin error en tema donde es tan fácil deslizarse. Así, ante tanta grandiosidad como se desprende del Tratado, sólo cabe reconocer como cierto, respecto a El-Arabi  , lo que él mismo recuerda en el Colofón de su obra:

«Alá prepara a los que ama y los acoge con palabra, actos, ciência, inteligência, luz y dirección verdaderos. Amen

Los títulos y subtítulos, así como la division en partes y párrafos y también la numeración de ellos, son obra del comentarista, quien se ha tomado tal libertad en aras de una mayor claridad. Los comentários sólo persiguen clarificar la dificultad del texto y han sido escritos como mero complemento del mismo, es decir, desde el punto de vista de lo que el texto sugiere a un hombre de hoy. A parte de la pocas explicaciones sobre terminologia técnica   sufi, no hay que esperar ver en los comentários una determinación puramente sufi, ya que la casi inexistência de tratados similares hacen este intento muy dificilmente practicable. En definitiva, los comentários son la modesta aportación que una mente   que intenta la Unidad puede hacer al Tratado de quien, con toda seguridad, realizo la Unidad.

Chodkiewicz

Após seis páginas e uma apreciação escolástica da provável autoria do conhecido “Tratado da Unidade  ”, Chodkiewicz   a partir de Jami   busca decifrar este autor, recuperando notícias sobre o mesmo em forma de “anedotas”.

Se dirigindo a seus discípulos, Awhad al-din Balyani teria declarado: “Sejais “os que contêm” Deus  ! Se não sois os que contêm Deus, não sejais os que contêm vós mesmos: pois se não sois os que contêm vós mesmos, sois os que contêm Deus! Diria mais ainda: Sejais Deus! E não sois Deus, não sejais vós mesmos; pois se não sois vós mesmos, sois Deus!”

Essa formulação paradoxal, e exotericamente escandalosa está perfeitamente coerente com a perspectiva doutrinal própria à Epístola. Pode mesmo se dizer que esta última dela constitui de ponta a ponta o comentário por excelência.

Outro incidente relatado por Jami é o seguinte:

Um dos discípulos de Balyani estava isolado na montanha  . Uma serpente   tendo se aproximado dele, ele quis a pegar. A serpente o picou e seu membros se puseram a inchar. Balyani soube e mandou buscar seu discípulo  . Disse então: “Porque pegastes esta serpente, tanto que ela o picou? — Ó mestre, respondeu o discípulo, “dissestes tu mesmo que não há senão Deus”. Vendo esta serpente, não vi outra coisa senão Deus. Reunindo minha coragem  , a peguei então!” Balyani replicou: “Quando Deus se manifesta a ti sob um aspecto de poder terrificador, fuja! Não te aproximes dEle, se não te acontecerá de novo o que acaba de ocorrer! Em seguido o fez se sentar e lhe disse: “Abstenhas-te de semelhantes audácias até que tu O conheças perfeitamente”. Depois do que recitou invocações e soprou sobre ele. O inchaço diminuiu e o discípulo foi curado.

A noção   de “unicidade do ser” é muito identificada ao pensamento de Ibn Arabi, o que pode levar ao questionamento se as ideias enunciadas por Balyani seriam desta linhagem, e em que medida. Embora a “unicidade do ser” tenha se tornado um tema maior do pensamento de Ibn Arabi e seus discípulos, a noção não foi sua “invenção” e portanto não é privilegiada somente aí.

É necessário se fazer uma distinção capital entre algumas noções chaves para Ibn Arabi não devidamente exploradas em Balyani:

  • Unidade   (ahadiyya), que é o grau da Essência   absolutamente incondicionada
  • Unicidade (wahadaniyya), que da Unidade constitui uma primeira determinação
  • Singularidade (fardaniyya) que implica em seu correlativo, a pluralidade.

Do mesmo modo Ibn Arabi não trata destas noções em associação com o famoso haddith do profeta “aquele que conhece a si mesmo conhece seu Senhor”. Balyani faz desta Epístola uma verdadeira exegese   esotérica deste haddith. Ibn Arabi, por sua vez, trata inúmeras vezes deste haddith em seus escritos.

“Quando este segredo (do haddith) se desvela para ti, sabes ... que tu és tu mesmo a meta de tua busca ... Tu vês Seus atributos como teus e sua essência como tua essência.” Dito de outro modo: quando conheces teu si mesmo, conheces teu Senhor porque teu si mesmo é idêntico a teu senhor, o qual não é outro que a Essência divina ela mesma.


Segue tradução combinando a versão francesa de Michel Chodkiewicz (traduzida em espanhol) com a versão espanhola de Roberto Pla  , acompanhada dos comentários em ambas versões; esta última, uma contribuição e tradução de Antonio Carneiro da versão espanhola de Roberto Pla com base na edição francesa publicada na revista «Être», primeiro trimestre de 1977, traduzida do árabe por Abdul-Hadi. Málaga, Ed. Sirio, 1987.

Parágrafos: § 1; § 2; § 3; § 4; § 5; § 6; § 7


Ver online : EPÍSTOLA DA UNICIDADE ABSOLUTA