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Fédon 65d-66a — Realidades absolutas, objetos do pensamento puro

quinta-feira 24 de março de 2022

      

E com relação   ao seguinte, Símias: afirmaremos ou não que o justo [dike  ] em si mesmo   seja alguma coisa?

Afirmaremos, sem dúvida, por Zeus  .

E também o belo [kalon  ] em si e o bem [agathon  ]?

Também.

E algum dia   já percebeste [aisthesis  ] com os olhos qualquer deles?

Nunca, respondeu.

Ou por intermédio de outro sentido corpóreo? Refiro-me a tudo: grandeza  , saúde, força e o mais que for, numa palavra  : à essência de tudo o que existe, conforme a natureza de cada coisa. É por intermédio do corpo [soma  ] que percebemos o que neles há de verdadeiro, ou tudo se passará da seguinte maneira: quem de nós ficar em melhores condições de pensar   em si mesmo o mais exatamente possível o que se propõe examinar, não é esse que estará mais perto do conhecimento de cada coisa? Ou não?

Perfeitamente.

E não alcançará semelhante objetivo da maneira mais pura quem se aproximar de cada coisa só com o pensamento [dianoia], sem arrastar para a reflexão a vista ou qualquer outro sentido, nem associá-los a seu raciocínio, porém valendo-se do pensamento puro, esforçar-se   por apreender a realidade   de cada coisa em sua maior pureza  , apartado  , quanto possível, da vista e do ouvido, e, por assim dizer, de todo o corpo, por ser o corpo fator de perturbação para a alma   [psyche] e impedi-la de alcançar a verdade   e o pensamento, sempre que a ele se associa? Não será, Símias, esse indivíduo, se houver alguém em tais condições, que alcançara o conhecimento do Ser [ontos, onta  , realidade]?

Tens toda a razão, Sócrates, respondeu Símias.