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Aspectos extra-textuais do Timeu

quinta-feira 24 de março de 2022

Excertos de "O Timeu   de Platão: mito e texto", por Rodolfo Pais Nunes Lopes

1.1 Autenticidade

No caso concreto do Timeu  , esta questão (muito delicada em alguns diálogos) praticamente nem se coloca, pois é e sempre foi tido por autêntico. Na verdade, ao longo dos séculos, a única voz discordante foi a do filósofo alemão Friedrich Schelling  , tendo, porém, mais tarde mudado de opinião e assumido que errara ao supor que o Timeu   não era de Platão [1].

Com efeito, desde muito cedo que o diálogo é atribuído a Platão, a começar desde logo pelos tempos da Academia antiga; também o próprio Aristóteles, em diversas ocasiões, se refere ao diálogo, citando e comentando algumas passagens, dizendo, por vezes, muito claramente que essa obra pertence a Platão; igualmente Teofrasto lhe atribui a autoria sem hesitações. Além disso, como veremos posteriormente na secção relativa à transmissão e recepção do Timeu  , a associação das ideias ou teorias nele expostas são amiúde identificadas, mais direta ou indiretamente, com as de Platão, pelo que deveremos concluir que a questão da autenticidade não tem quaisquer fundamentos sequer para ser formulada.


[1Sobre este assunto, vide Taylor (1928, p. 1).