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kalon

quinta-feira 24 de março de 2022

    

kalón (tó) : beleza.

Neutro substantivado de kalos  : belo. Platão   pede ao filósofo que se eleve até a Beleza em si (auto tò kalón) (Rep.  ,V, 476b); é Eros   que nos conduz a ela (Banquete  , 206e, 210a-212c). Plotino   redigiu um tratado Da beleza (I,VI), no qual trata sucessivamente da beleza dos corpos, da Beleza das almas e da Beleza eterna, que, como mostra depois, é idêntica ao Espirito (nous) (V, VIII, 3) e ao Ser (V, VIII, 9). Outra forma: kállos (tó). [Ivan Gobry  ]


V. eros 5-7
O tema é retomado no Banquete: o amor é um desejo dirigido para o belo (kallos) e necessariamente envolve a noção   de uma necessidade   ou falta (endeia, 200e-201b). Sócrates   começa então a citar a doutrina aprendida com uma sábia profetiza, Diotima  . Eros, agora reinvestido com os ornamentos do mito  , é um grande daimon   um dos intermediários (metaxu  ) entre o divino   e o mortal   (202e). Depois, subitamente, a ironia   socrática é explicada: Eros é também o meio caminho entre a sabedoria   (sophia) e a ignorância pelo fato de o homem   que não tem o sentido da sua própria deficiência   não ter amor da sabedoria (philosophia  , 204a). O amor é definido como o desejo de que o bem seja nosso para sempre (206a), a procura de uma natureza mortal ser imortal (207d) que ele realiza gerando (gênesis; confrontar o uso em certa medida semelhante que Aristóteles   faz de gênesis em kinoun 9).

No Banquete 209e Diotima detém-se (uma quebra vista por alguns como a linha divisória entre o eros socrático e o platônico) e então mergulha num estudo final do verdadeiro eros. O concurso dos belos corpos gera belos discursos (logoi). O amante afasta-se de um único corpo e torna-se um amante de todos os corpos belos (em Carmides 154b Sócrates confessara que todos os jovens lhe pareciam belos), daí para as belas almas, leis, observâncias, e conhecimento (episteme  ), libertando-se sempre da ligação ao particular, até que «subitamente» lhe é revelada a visão   da própria beleza (211b; a rapidez da visão é de novo acentuada in Ep. VII, 341). Esta é a imortalidade.

O que foi revelado são, evidentemente, os eide transcendentes. Sócrates tem muito mais a dizer a respeito do lado puramente psicológico do amor no seu primeiro discurso no Fedro   (237b-241d; definido, 238b-c, como um desejo irracional dirigido, para o gozo da beleza). [F.E. Peters  , Termos filosóficos gregos]