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aphthartos

quinta-feira 24 de março de 2022

áphthartos: indestrutível; para a indestrutibilidade da alma, cf. athanatos

1. Na discussão aristotélica dos possíveis significados do termo (De coelo I, 280b) ele aceita como primacial conotação «aquilo que existe e que não pode ser destruído, i. e., deixará ou pode deixar de existir», e enquanto encontra acordo entre os seus predecessores sobre o fato de o mundo ser um produto de genesis (ver agenetos), há aqueles que estão dispostos a admitir a sua destruição (ibid. I, 279b). Entre estes últimos há alguns que postulam uma única destruição e outros que sustentam que a destruição do kosmos é periódica. Aristóteles   não especifica quem faz parte do primeiro grupo, mas Simplício  , ao comentar este passo, identifica-os como sendo os atomistas e essa identificação parece provável (ver Diels, frgs. 67A1, 68 A40; confrontar Epicuro   in D. L. X,73 e Lucrécio  , De rerum nat. V, 235 ss.). Entre os que propõem a destruição cíclica Aristóteles   nomeia Empédocles  , cuja teoria da mistura dos quatro elementos através do Amor e da Luta é de fato cíclica (frg. 17, linhas 1-13), e Heráclito  . A posição de Heráclito   é muito mais obscura; o frg. 30 nega qualquer dissolução do kosmos e Platão   faz especificamente a distinção entre a posição de Empédocles   e a de Heráclito   no que respeita à destruição do kosmos (Soph. 242d). Há, por outro lado, passos em autores posteriores que sugerem que Heráclito   defendeu uma doutrina da conflagração periódica (of. ekpyrosis). À primeira vista também Fílon parece defender a destrutibilidade do kosmos (De opif. 7); mas o seu verdadeiro ponto de vista baseia-se numa distinção que se encontra em Platão  ; no Timeu   41a-b, ao falar dos deuses celestes (ouranioi), Platão   diz que a união dos seus corpos e almas podia ser dissolvida mas eles não o serão por serem obra do Demiourgos. De modo semelhante, Fílon sente que o kosmos, embora naturalmente destrutível, não será destruído graças a um apoio divino providencial (De Decalogo 58).

2. Um argumento semelhante aparece em Plotino   Enéadas   II, 1  , 3-4, onde é a Alma que mantém o kosmos eternamente unido; mas aqui a relação não é a relação providencial e volitiva que se encontra em Fílon, fundamenta-se antes no elemento mimético da tradição platônica, o tempo é uma eikon da eternidade (aion) e este mundo é uma reflexão do universo inteligível (kosmos noetos); além disso, a criação no sentido de «processão» (ver proodos) e «retorno» (ver epistrophe) faz com que sejam perduráveis na natureza. [Termos Filosóficos Gregos, F  . E. Peters  ]