Página inicial > Antiguidade > Hípias maior

Hípias maior

quinta-feira 24 de março de 2022

Hípias maior  

Sobre a beleza. Esboça uma primeira notícia sobre as Ideias.


APRESENTAÇÃO

O tema do diálogo — o belo — não é abordado senão depois de um longo prólogo e apenas surge na conversa entre Sócrates   e Hípias no momento em que Hípias discorre sobre as "belas ocupações", segundo discurso que tinha dado em Esparta. Este prólogo põe em paralelo, ironicamente, os antigos sábios — os Sete Sábios da tradição — que se tinham mantido fora da vida política, e a atitude de Hípias e dos outros sofistas, estes "sábios" modernos, que sabem habilmente tirar partido de seu savoir-faire e nisso buscam conciliar a conduta dos afazeres públicos e de seus afazeres privados.

O prólogo continua discutindo a questão da educação e o papel dos sofistas, considerando seu interesse puramente comercial. A questão do belo surge, pela pretensão de educador de Hípias, onde Sócrates   surpreende pondo a questão do belo, em termo do que merece admiração e aprovação, do que é "excelente" (arete).

Assim o diálogo se encaminha para uma tentativa de definição do belo, em termo da excelência que deveria ser a meta e o resultado da educação. Sócrates   indagando Hípias sobre o tema demonstra a causa profunda das insuficiências deste projeto sofista  : a ignorância, a ignorância da ignorância, a ausência de reflexão.

Sócrates   desenvolve sua maiêutica a partir de um "embaraço" (aporia) advindo da seguinte questão: quando se afirma que uma coisa (um ser ou uma ação) é bela e outra feia, em nome de que se julga? Em se referindo a que definição do belo? Em utilizando que critério?

Hípias vai dar a esta questão, com toda pressa e certeza cômicas, três respostas que são tentativas de definição do belo. Mas estas definições não serão satisfatórias, porque permanecem ao nível da opinião mais comum (doxa) e porque são fundadas sobre erros de lógica. Hípias não é capaz de operar esta conversão descrita no Fédon e que nos faz aceder de maneira racional às verdadeiras realidades (o Belo, o Bom, o Justo em si) em nos liberando das contradições do mundo sensível, incerto e mutante. (Adaptado de PLATON  , HIPPIAS MAJEUR)