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Corpo

quinta-feira 24 de março de 2022

Segundo Brisson   & Pradeau  , o corpo é para Plotino   o resultado de uma informação parcial da matéria. É uma razão (logoi) proveniente da alma que é a causa da existência do corpo. Vide Enéada II, 4  , 5.


Em Enéada IV, 7  , 3, Plotino   se opõe à definição da alma por Epicuro  , "um corpo composto de finas partes"; tão finas que, repartidas no conjunto do agregado que é o resto do corpo, elas estão em simpatia com o corpo. Uma doutrina similar foi atribuída a Demócrito, de quem Epicuro   seria herdeiro. Neste Tratado 2  , Plotino   enfrenta também a definição de alma do estoicismo, que embora materialista lhe parece ao mesmo tempo mais sutil e mais difícil de refutar.
Contestando que a alma seja um corpo, Plotino  , segundo O’Meara  , deixa entender que um corpo deve ser composto de um ou mais dos quatro elementos: fogo, ar, água e terra. Ou um composto destes mesmos elementos. Porém estes elementos são sem vida, e coisas compostas destes elementos dependem de algo, uma causa que os ponha juntos. Assim este algo mais é o que significa a alma. Por conseguinte a alma não pode ser corpo, seja como um elemento ou como uma combinação de elementos (Enéada IV, 7  , 2).

Ainda segundo O’Meara   (1995, p. 17), os estoicos falavam de uma força corpórea, uma espécie de espírito ou sopro cósmico doador de vida, que penetra e organiza uma matéria puramente passiva, criando níveis cada vez mais complexos de realidade material culminando em racionalidade. Plotino  , entretanto, assume sua própria concepção do corpo: incapaz de auto-movimento e de auto-organização; sem poder de criar funções superiores, em particular orgânicas. Estas funções devem ser produzidas por algo diferente, que portanto não pode ser um corpo.