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Matéria

quinta-feira 24 de março de 2022

First Ennead. Fourth tractate. Matter in its two kinds.

Como no homem antes da organização e configuração da Alma-do-Mundo, assim também em toda parte está a Matéria, sempre a mesma: há uma certa tendência de pensar a Matéria como sendo «material», i. é. no homem como carne ou barro, no mundo em geral como uma espécie de pó inicial ou resíduo de coisas: esta concepção equivocada deve ser evitada. A «Matéria», diz Jules Simon, «é mais uma demanda de pensamento do que uma realidade da existência»: isto é talvez para afirmar o caso duramente, mas é está certamente mais próximo da verdadeira concepção do que a noção que a palavra implica para a mente não instruída.

A Matéria é a última, a menor emanação do poder criativo da Alma-do-Mundo, ou melhor é ainda mais ínfima do que isto: é, falando grosseiramente, o ponto no qual o poder gerativo ou criativo chega a uma parada; é o Possível Último, é quase Não-Ser; seria Não-Ser exceto que o Não-Ser Absoluto é não-existente, impossível em um mundo emanando da abundância do Ser: frequentemente sem dúvida é chamada de Não-Ser mas isto não está em estrita definição senão como um expressão conveniente de seu supremo, quase infinito distanciamento da Existência-Autêntica à qual, na longa linha de descida, deve sua origem.

Devemos pensar dela — como indicado no tratado do Mal (Enéada I-8) — como invisível, imperceptível a qualquer sentido, desconhecível por qualquer exercício da mente exceto por sua negação de tudo que a mente pode no entanto fracamente apreender, como absolutamente fora do reino da forma exceto na medida que enquanto fracamente estende em direção a alguma determinação na marcação universal de todas as coisas em direção ao Bem e à Sabedoria da qual entretanto remotamente tudo emergiu. (Stephen MacKenna  )