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A história do problema

terça-feira 22 de março de 2022

  •  =HERMENÊUTICA MODERNA — A HISTÓRIA DO PROBLEMA=-

    Como todo problema filosófico, a interpretação também tem o seu. A questão da justa interpretação de qualquer texto que pretende despertar uma compreensão, sempre levantou inúmeras reflexões. Entretanto, o movimento que mais caracterizou este apelo à verdade foi sem dúvida o da hermenêutica.

    Primeiramente formada e empregada no domínio teológico, surgiu apenas no sentido de uma “arte da compreensão” na era moderna, ainda aqui enquanto busca da interpretação correta da sagrada escritura. Mas não eram apenas os escritos sagrados que despertavam problemas de interpretação. Textos profanos, históricos, velhos textos legislativos e jurídicos, etc, também tinham seus problemas e precisavam de um modo correto de interpretação.

    Apesar da vastidão do problema bíblico, certos conceitos implicados numa hermenêutica da Sagrada Escritura também teriam alguma validade em outras áreas de aplicação. Perceba que o movimento de ampliação do método hermenêutico, surgiu de dentro pra fora. Ora, os textos da Escritura por exemplo, apresentam em sua forma geral, certa similitude com testemunhos literários-históricos, ou seja, um método que pretenda validar a interpretação da Escritura, involuntariamente esclarece os textos escritos deste mesmo gênero. E o mesmo movimento também se dá para textos jurídicos; visto que se tratam de textos que falam normativamente e autoritariamente, tendo por si pretensão à validez e obrigatoriedade; e históricos, onde o discurso bíblico-teológico sustenta sua cronologia.

    Portanto, o problema bíblico enquanto origem de todo movimento hermenêutico, apesar de ocupar uma posição singular, visto que tem como pretensão trazer a palavra de Deus aos homens, é antes de mais nada humano e histórico, ou seja, deve ser estudado sob a perspectiva de escritos elaborados por homens, surgidos na história e transmitidos por ela.

    Diante desta nova postura, o movimento hermenêutico ganha mais importância, visto que a nova condição serviu para, como Coreth afirma, “enquadrar o problema da hermenêutica bíblica num amplo contexto das ciências do espírito e sobre o fundo dos pressupostos teórico-filosóficos”. Ao “enquadrar” o problema teológico junto com as demais áreas de conhecimento, seus métodos de análise rapidamente se espalharam às demais ciências, e com Schleirmacher temos o inicio da hermenêutica metodológica, seguida por Dilthey   e Heidegger  , e culminando com Gadamer  , herdeiro e reformador desta tradição, segundo premissas de investigação do homem — Dasein —, lançadas por Heidegger  .