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Hulin (PEPIC): Anatman

sábado 30 de julho de 2022

    

O BUDISMO E A NEGAÇÃO DO ATMAN   (ANATMAN)

Enquanto a mente   é acompanhada da ideia de Eu, a série dos nascimentos não pode cessar; a ideia de Eu não se afasta do coração   enquanto exista a visão   que há uma alma  . Ora não há no mundo mestre que ensina a inexistência da alma, exceto tu. Não há portanto outro caminho de libertação senão tua doutrina. (citado por Yashomitra em seu comentário do Abhidharmakosha)

Eis resumida a posição   budista em sua singularidade, que consiste fundamentalmente a identifica à ideia de Si mesmo e aquela de ego, mas de maneira a reconduzir a primeira ao nível da segunda. Em outros termos o budismo retoma e acentua esta desvalorização do ego que estava timidamente em gérmen nos Upanixades  , ao mesmo tempo   que suprime o termo de referência transcendente em relação ao qual o ego podia ser depreciado. Notável é a reviravolta pela qual o fenômeno reputado «natural» do ego é apresentado como um artefato, como o subproduto psíquico de uma construção especulativa gratuita. O budismo não deixará então e retorno de identificar o atman «especulativo» ao ego psicológico indevidamente hipostasiado. Neste círculo   vicioso de uma ilusão   psicológica e de uma construção especulativa repousando uma sobre a outra reconhece-se sem dificuldade   o ciclo mesmo da transmigração, da servidão. E conclui-se que os dois   termos devem ser abandonados juntos para que se produza a liberação  . Mas quem constrói, quem está preso pela ilusão, quem é liberado, se não existe nenhum ego, nem nenhum Si mesmo? Estes paradoxos, sobre os quais as filosofias bramânicas não deixarão jamais de insistir, podem parecer inerentes à doutrina do anatman, sobretudo quando ela é examinada isoladamente, como uma espécie de curiosidade metafísica. Tendem a se dissipar, ou pelo menos se atenuar, assim que, além da letra   desta doutrina, busca-se determinar a intenção   religiosa específica da qual procede e o lugar que ocupa no conjunto   da visão budista do mundo.


Ver online : EXCERTOS DA OBRA DE MICHEL HULIN