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Festugière (RHT3): A origem celeste da alma

sábado 6 de agosto de 2022

    

As fontes filosóficas

O período helenístico não se preocupou em geral com o problema das origens e do destino da alma   (v. Franz Cumont  ). E pode-se atribuir com alguma certeza   à renovação   da influência do platonismo a crença, da qual testemunha Cícero (Sonho   de Cipião), que a alma é de origem   divina e que, após um tempo   de estadia aqui em baixo, ascende para sempre ao céu (v. Estoicismo  ).

Essa crença apresenta duas características. Por um lado, «os homens receberam seu espírito   desses fogos eternos de acima, que chamais constelações e estrelas, fogos esféricos e circulares que, animados de intelectos divinos, realizam suas revoluções com uma velocidade admirável». Ao mesmo tempo que Cícero encontra-se em Varron : «A semente   de vida nos seres vivos é o fogo  , que é alma e intelecto  . É um sopro quente   vindo do céu, porque é no céu que se encontram, inumeráveis, os fogos imortais. Assim Epicarmo diz do intelecto humano: "ele vem do alto, originário do Sol  , o qual é inteiramente composto de intelecto"». É provável que a leitura do Timeu   tenha reanimado a crença na origem astral da alma. Cícero traduziu parte desta obra, e não há necessidade   de se lembrar aqui, o quanto esteve em voga sob o Império.

Outro caráter põe a natureza da alma em relação   direta com a natureza das Ideias, ou de Deus   concebido como o Intelecto supremo que pensa as Ideias. Festugière   resume aqui o argumento   de Albino: «o ser da alma é de aportar vida. Ora aquilo que aporta a vida não é suscetível de morte. Logo a alma é imortal. Enquanto imortal, a alma é indestrutível. Ela é com efeito uma essência   incorporal, imutável   quanto a seu ser fundamental (hypostasis  ), inteligível, invisível  , simples na sua forma; portanto, ela é incomposta e não sofre nem dissolução nem dispersão. Por estes traços, a alma se assemelha ao Inteligível o qual também, por natureza, não sofre nem dispersão nem destruição. Além do mais, a alma tem naturalmente o papel de chefe. Ora aquilo que tem naturalmente papel de chefe se assemelha ao Divino  . Logo a alma, posto que se assemelha ao Divino, é indestrutível e não passageira». A alma se assemelha portanto ao Inteligível, e se tomarmos outras colocações chegamos à conclusão que a alma se assemelha a Deus mesmo. Pois Deus, sendo sem partes, é imutável   e inalterável, logo incorporal. Além do mais, se Deus tivesse um corpo, seria corruptível  , engendrado, suscetível de mudança  : o que é absurdo no caso de Deus.

A gnose pagã

Cicéron, sous l’influence de Platon  , écrit dans le Songe (13) : « Ceux qui dirigent les cités humaines et en maintiennent le salut, comme ils sont venus   de là-haut, là-haut retournent » (citação latim). Tertullien  , là où il marque, dans le de anima (23.1), l’origine platonicienne des hérésies dualistes, s’exprime en ces termes : « Quelques-uns croient qu’ils sont descendus du ciel et ils sont aussi assurés dans cette persuasion que dans leur conviction de remonter là-haut » (citação latim) (2). Arnobe enfin, critiquant les enseignements d’un groupe de novateurs, qui se rattachent à Hermès (Trismégiste), à Platon et à Pythagore   (sc. Numénius et Cronius), tient à ces viri novi ce langage : « Vous prétendez, vous autres, retourner de vous-mêmes à la cour du Seigneur comme au séjour qui vous appartient en propre, sans que rien ne vous en empêche » (citação latim, II 33, p. 74.24 H.). Le fondement de cette croyance, partout rapportée à Platon, est, on le voit, partout le même : les âmes remontent au ciel parce qu’elles en sont descendues, elles ne regagnent le ciel que parce qu’elles appartiennent au ciel. Comme il est dit dans l’Évangile (Joh. 3, 13) : « Nul ne remonte au ciel s’il n’est descendu du ciel », citação grego. Le dogme premier de l’anthropologie, dans les systèmes de philosophie religieuse sous l’Empire, est l’origine céleste de l’âme, soit qu’on la tienne pour de même essence que les astres, soit qu’on la regarde, en tant qu’incorporelle et indissoluble, comme semblable aux Idées, ou au divin, ou à Dieu : « l’âme, disait Albinus (25, p. 177.28 ss.), étant ce qui commande en l’homme, ressemble au divin ». Or cette doctrine est aussi le fondement de la gnose, qu’il nous faut étudier maintenant en commençant par l’hermétisme.


Ver online : Festugière - A Revelação de Hermes Trismegisto III