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Anfisbena

domingo 20 de março de 2022

      

ANFISBENA MITOLÓGICA; ANFISBENA

A ANFISBENA ANTIGA
A Antiguidade   inteira foi penetrada do incessante pensamento   do Bem e do Mal, lutando sem trégua um contra o outro, combate   que se dá ao mesmo templo   no macrocosmo, que é o Universo   e sobretudo no Microcosmo, o mundo ideal e reduzido que é o ser humano  . E a Antiguidade simbolizou esta guerra incansável por mitos impressionantes tais como a luta de Zeus   contra Tifão, aquela de Apolo contra Píton, aquela de Cadmos contra o dragão da fonte   de Dirce, aquela de Hércules contra os monstros, etc.; ela a figurou por emblemas dos quais um dos mais singulares é a Anfisbena.

Este fabulosos réptil, cujo nome grego Amphisbaina significa «aquele que anda dos dois   lados» foi tomado a sério   pelos naturalistas gregos e latinos. O que quer dizer que era conhecido de nome há muito tempo   antes destes naturalistas. Plínio o descreve assim: « A anfisbena tem uma dupla cabeça  , quer dizer uma cabeça no rabo, como se não bastasse um só boca para lançar seu veneno ».

Este estranho réptil, este animal   impossível, que compõem dois corpos costurado juntos, e condenados a puxar em sentido contrário a quem puxar o outro, ou bem a se enrolar um contra o outro em um duelo inevitável, representou, nos neoplatônicos de Alexandria os dois princípios bom e mau que disputam entre si o império do mundo, o império das almas. Foi por estas duas partes o « agathodaimon », o gênio do Bem, o « kakodaimon   », o gênio do Mal. É o sentido que a anfisbena guardou durante todo o curso dos séculos seguintes.

Na Idade Média só fez repetir o que Plínio tinha escrito. Várias figurações da Idade Média, e mais recentes, representam a anfisbena como feita de uma serpente   negra e de uma serpente de prata ou de uma serpente de ouro  .

Na heráldica medieval, a serpente superior da anfisbena, foi provida de um elegante par de asas; e aquela de baixo tinha por vezes patas.

É possível que este emblema nos tenha vindo dos hiperbóreos, em tempos fabulosamente longínquos, tendo chegado a ser representado até na Abissínia.