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Corbin (ICSIA): A Dialética de Amor

segunda-feira 1º de agosto de 2022

    

tradução

De todos os mestres do sufismo, Ibn Arabi   é (com Ruzbehan de Shiraz) um daqueles que levaram mais longe a análise dos fenômenos do amor; pôs em obra uma dialética muito pessoal, eminentemente própria a nos fazer descobrir qual é o deleite da devoção total professada pelos «Fiéis do Amor». Do que aqui esboçamos, surge a questão: Que é então amar   a Deus  ? E como é possível amar a Deus? Eis expressões que a língua religiosa emprega primeiramente como se se tratasse de evidências óbvias. Ora, não é tão simples, Ibn Arabi nos faz progredir por uma dupla constatação: «Eu atesto Deus, escreve, se permanecêssemos só nos argumentos racionais da filosofia, os quais, se nos fazem conhecer a Essência   divina, não o fazem senão de uma maneira negativa, é certo que nenhuma criatura jamais experimentou amor por Deus... A religião positiva nos ensina que ele é isto e aquilo; estes são atributos cujas aparências exotéricas são absurdas pela razão   filosófica, e no entanto é por causa   destes atributos positivos que o amamos». De acordo   com isso, incumbe à religião nos dizer: Nada lhe assemelha. Mas por outro lado, Deus não pode nos ser conhecido senão nisto que experimentamos dele, de sorte que «pudéssemos o tipificar e o tomar como objeto de nossa contemplação  , assim como no íntimo de nossos corações como diante de nossos olhos e em nossa imaginação  , como se o víssemos, ou melhor dito, de tal sorte que o víssemos realmente... Ele é aquele que em cada ser amado se manifesta a respeito de cada amante.... de maneira que nenhum outro que ele não é adorado, pois é impossível adorar um ser sem se representar nele a divindade  ... Assim ocorre com o amor: um ser não ama em realidade   nenhum outro senão seu criador». A própria vida de Ibn Arabi nos fornece sobre todos estes pontos o penhor de uma experiência pessoal.

Original

De tous les maîtres du soufisme, Ibn Arabi est (avec Ruzbehan de Shiraz) l’un de ceux qui ont poussé le plus loin l’analyse des phénomènes de l’amour ; il y a mis en oeuvre une dialectique très personnelle, éminemment propre à nous découvrir quel est le ressort de la dévotion totale professée par les « Fidèles d’amour ». De ce que nous avons esquissé jusqu’ici, surgit la question : Qu’est-ce donc qu’aimer Dieu ? Et comment est-il possible d’aimer Dieu ? Ce sont là des expressions que la langue religieuse emploie ailleurs comme s’il s’agissait d’évidences allant de soi. Or, ce n’est pas si simple. Ibn Arabi nous fait progresser par une double constatation : « J’en atteste Dieu, écrit-il, si nous en étions restés aux seuls arguments rationnels de la philosophie, lesquels, s’ils nous font connaître l’Essence divine, ne le font que d’une manière négative, il est sûr qu’aucune créature n’eût jamais éprouvé d’amour pour Dieu... La religion positive nous apprend qu’il est ceci et cela ; ce sont des attributs dont les apparences exotériques sont absurdes pour la raison philosophique, et cependant c’est à cause de ces attributs positifs que nous l’aimons. » Après cela seulement, il incombe à la religion de nous dire : Rien ne lui ressemble. Mais d’autre part, Dieu ne peut nous être connu que dans ce que nous éprouvons de lui, de sorte que « nous puissions le typifier et le prendre comme objet de notre contemplation, aussi bien dans l’intime de nos cœurs que devant nos yeux et dans notre imagination, comme si nous le voyions, ou mieux dit, de telle sorte que nous le voyions réellement... Il est celui qui dans chaque être aimé se manifeste au regard de chaque amant... de même que nul autre que lui n’est adoré, car il est impossible d’adorer un être sans se représenter en lui la divinité... Ainsi en va-t-il pour l’amour : un être n’aime en réalité personne d’autre que son créateur. » La propre vie d’Ibn Arabi nous fournit sur tous ces points le gage d’une expérience personnelle.


Ver online : Excertos de "A Imaginação criadora no sufismo de Ibn Arabi"