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Corbin (PM): Paradoxo do Monoteísmo

segunda-feira 1º de agosto de 2022

      

tradução

[...] Este paradoxo é de natureza essencialmente teológica e filosófica. Quando se fala das «religiões monoteístas», visa-se em geral o grupo das três grandes religiões abraâmicas: judaísmo, cristianismo e islamismo.

Para destacar o paradoxo que viso aqui, seria indicado nos ater então a certos aspectos do pensamento   judeu  -bíblico que é nosso irmão   mais velho. Haveria de precisar a amplitude que o ensinamento esotérico dá ao emprego da palavra «Deuses» no plural, a uma expressão frequente tal como «os filhos de Deus  », no versículo do Deuteronômio 10,17. «O Senhor vosso Deus é o Deus dos Deuses, o Senhor dos Senhores». Haveria de insistir sobre a angelologia dos essênios e o conjunto   dos Livros de Enoque  , sobre o Anjo   de YHWH  , sobre o Querubim sobre o Trono, o Anjo Metatron  , o Anjo da Face  , as Sephirot, a Cabala   antiga e a tardia, etc. Só nossos coirmãos cabalistas judeus podem fazer face à complexidade desta angelologia e desta cosmologia. O que faz lembrar como Fabre d’Olivet   traduziu o nome Elohim  , no início do Gênesis: «Eles-os-Deuses, o Ser  -dos-seres», Mas haveria também de relembrar os grandiosos sistemas da Gnose, desde a Gnose primitiva até aos Cabalistas Cristãos, sem esquecer, de passagem, a opinião   de certos Padres gregos da Igreja   para quem o cristianismo trinitário estava a igual distância do monoteísmo e do politeísmo. Não temos infelizmente nem o tempo nem o lugar. Me limitarei portanto ao domínio da gnose e da teosofia islâmicas, da qual já tratei aqui em Eranos. Certamente, constataremos passagens em domínios vizinhos, e a comparação será pelo menos assim ensaiada.

Quando falo do «paradoxo do monoteísmo», viso antes de tudo a situação tal qual foi vivida e superada pelos gnósticos e teósofos do Islame, em particular pela escola do grande teósofo visionário Ibn Arabi  . Este paradoxo recapitulo brevemente, tal qual podemos destacar as três fases segundo Ibn Arabi ele mesmo e seus continuadores. Farei especialmente apelo aqui a Sayyed Haydar Amoli que foi ao mesmo tempo e crítico e o maior dos discípulos xiitas de Ibn Arabi.

  • O Deus-Uno e os Deuses Múltiplos
    • O paradoxo do monoteísmo
    • A ontologia integral e as teofanias
    • Os diagramas do Uno unífico e das teofanias múltiplas
  • As Hierarquias Divinas
    • A dramaturgia teogônica
    • De uma fenomenologia do Espírito Santo como Anjo da humanidade

Original

[...] Ce paradoxe est de nature essentiellement théologique et philosophique. Lorsque l’on parle des « religions monothéistes », on vise en général le groupe des trois grandes religions abrahamiques : judaïsme, christianisme, Islam.

Pour dégager le paradoxe que je vise ici, il serait indiqué de nous attacher d’abord à certains aspects de la pensée judéo-biblique qui est notre sœur aînée à tous. Il y aurait à préciser la portée que l’enseignement ésotérique donne à l’emploi du [12] mot « Dieux » au pluriel, à une expression fréquente   telle que « les fils de Dieu   », au verset du Deutéronome 10/17 : « Le Seignèur votre Dieu est le Dieu des Dieux, le Seigneur des Seigneurs ». Il y aurait à insister sur l’angélologie des Esséniens et l’ensemble des livres d’Hénoch, sur l’Ange de YHWH, sur le Chérubin sur le Trône, l’Ange Métatron, l’Ange de la Face, les Sephirot, la Kabbale ancienne et la tardive, etc. Seuls nos confrères kabbalistes juifs peuvent faire face à la complexité de cette angélologie et de cette cosmologie. On se rappellera comment Fabre d’Olivet traduisait le nom Elohim, au début de la Genèse : « Lui-les-Dieux, l’Être-des-êtres ». Mais il y aurait aussi à rappeler les vastes systèmes de la Gnose, depuis la Gnose primitive jusqu’aux Kabbalistes chrétiens, sans oublier, en passant, l’opinion de certains Pères grecs de l’Eglise pour qui le christianisme trinitaire était à égale distance du monothéisme et du polythéisme. Nous n’en avons malheureusement ni le temps ni la place. Je me limiterai donc au domaine de la gnose et de la théosophie islamiques, dont j’ai déjà traité ici à Eranos. Certes, nous en constaterons pour finir les retombées sur les domaines voisins, et la comparaison sera du moins ainsi amorcée.

Lors donc que je parle du « paradoxe du monothéisme », je vise avant tout la situation telle qu’elle a été vécue et surmontée par les gnostiques et théosophes de l’Islam, tout particulièrement par l’École du grand théosophe visionnaire Mohyîdîn Ibn ’Arabî (ob. 1240). Ce paradoxe, je le récapitule très brièvement, tel que nous pouvons en dégager les trois phases d’après Ibn ’Arabî lui-même et ses continuateurs. Je ferai spécialement appel ici à Sayyed Haydar Âmolî (ob. post 785/1385) qui fut à la fois le critique et le plus grand des disciples shî’ites d’Ibn ’Arabî. Nous avons ici même, à plusieurs reprises, traité de son œuvre considérable.


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