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Corbin (ICSIA): O Deus manifestado pela imaginação teofânica

segunda-feira 1º de agosto de 2022

      

tradução

O mundo ou o plano de ser intermediário correspondente propriamente à função mediadora da Imaginação  , a «cosmografia» mítica o designa como o mundo luminoso das Ideias-Imagens, das Figuras de aparição (alam   mithali nurani). Certamente, a preocupação primeira de Ibn Arabi   visa as conexões das visões coma faculdade imaginativa de um lado, com a inspiração divina de outro. De fato, todo conceito metafísico da Imaginação se encontra engajado na instauração deste mundo intermediário. Todas as realidades essenciais do ser (haqaiq ql-wojud) aí estão manifestadas em Imagens reais; e na medida que uma coisa manifestada aos sentidos ou ao intelecto  , possui uma significação que, em ultrapassando o simples dado, faz desta coisa um símbolo, e na medida que ela exige assim uma hermenêutica (tawil  ), a verdade simbólica desta coisa implica uma percepção no plano da Imaginação ativa. A sabedoria   que toma em conta estas significação, aquela que restituindo as coisas em símbolos, tem por objeto próprio este mundo intermediário de Imagens subsistentes, é uma sabedoria de luz (hikmat   nuriya) que é tipificada na pessoa   de José como intérprete exemplar   das visões. A metafísica da Imaginação toma emprestado, em Ibn Arabi, muitos traços à «teosofia oriental» de Sohravardi  . A Imaginação ativa é essencialmente o órgão das teofanias, porque ela é o órgão da Criação, e que a Criação é essencialmente teofania  . Da mesma maneira, dissemos, na medida mesmo que o Ser   Divino é Criador porque quis se conhecer nos seres que o conhecem, é impossível dizer que a Imaginação seja «ilusória», posto que ela é o órgão e a substância desta auto-revelação. Nosso ser manifestado é esta Imaginação divina; nossa própria Imaginação é Imaginação na sua.

Original

Le monde ou le plan d’être intermédiaire correspondant en propre à la fonction médiatrice de l’Imagination, la « cosmographie » mystique le désigne comme le monde lumineux des Idées-Images, des Figures d’apparition (’âlam mithâlî nûrâni). Certes, la préoccupation première d’Ibn ’Arabî vise les connexions des visions avec la faculté imaginative d’une part, avec l’inspiration divine d’autre part. En fait, tout le concept métaphysique de l’Imagination se trouve engagé dans l’instauration de ce monde intermédiaire. Toutes les réalités essentielles de l’être (haqâ’iq al-wojûd) y sont manifestées en Images réelles; et pour autant qu’une chose manifestée aux sens ou à l’intellect, possède une signification qui, en dépassant la simple donnée, fait de cette chose un symbole, et pour autant qu’elle exige ainsi une herméneutique (ta’wîl), la vérité symbolique de cette chose implique une perception au plan de l’Imagination active. La sagesse qui prend en charge ces significations, celle qui restituant les choses en symboles, a pour objet propre ce monde intermédiaire d’images subsistantes, est une sagesse de lumière (hikmat nûùya) qui est typifiée dans la personne de Joseph comme interprète exemplaire des visions. La métaphysique de l’Imagination emprunte, chez Ibn ’Arabî, bien des traits à la « théosophie orientale » de Sohravardî. L’Imagination active est essentiellement l’organe des théophanies, parce qu’elle est l’organe de la Création, et que la Création est essentiellement théophanie. Aussi bien, avons-nous dit, dans la mesure même où l’Etre Divin est Créateur parce qu’il a voulu se connaître dans des êtres qui le connaissent, il est impossible de dire que l’Imagination soit « illusoire », puisqu’elle est l’organe et la substance de cette auto-révélation. Notre être manifesté est cette Imagination divine ; notre propre Imagination est Imagination dans la sienne.


Ver online : Excertos de "A Imaginação criadora no sufismo de Ibn Arabi"