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Corbin (TC): Realismo e simbolismo das cores em cosmologia xiita

segunda-feira 1º de agosto de 2022

    

Segundo o «Livro do jacinto vermelho» do Xeique Mohammad Karim-Khan Kermani (falecido em 1870)

Prólogo

O fenômeno da cor foi abordado, sob aspectos diversos, tanto em filosofia quanto em teosofia islâmica. Há alguns anos, tivemos ocasião de abordar o estudo tomando como guia   um dos maiores mestres da espiritualidade iraniana, Alaoddawleh Semnani (séc. XIV). Fomos assim conduzidos ao coração   de uma fisiologia do organismo sutil, da qual cada centro   é ao mesmo tempo   tipificado como um «profeta de teu ser» e caracterizado por uma cor, uma aura, cuja percepção visionária revela ao místico seu grau de avanço na Via (vide O HOMEM   DE LUZ NO SUFISMO IRANIANO, e mais detalhes em NO ISLAME IRANIANO III  ).

De um conceito da cor englobando a totalidade dos universos

O que faz a essência   e a realidade   da cor escapou aos mais reputados filósofos; os cientistas se perderam em suas pesquisas. Avicena   principalmente, em seu Shifa, chegou ao máximo à ideia de uma certa existência da cor em potência, mas depois de um desenvolvimento prolixo confessou com lassitude que o que faz a essência da cor lhe escapava. De uma maneira geral nosso xeique rejeita o postulado geralmente admitido pelos filósofos, que em todos os casos onde a cor existe, ela deve ser visível  .

Da verdadeira relação   entre luz e cor

Luz e cor sendo coisas distintas, a luz sendo causa   não da existência mas da manifestação   da cor, e esta sendo manifestada em todos os graus do universo  , sensíveis assim como suprassensíveis, como se deve entender justamente a relação entre luz e cor? A resposta   a esta questão será alcançada em uma segunda posição   de tese de nosso autor. Ele aí nos conduz pela exposição de sua teoria   dos arquétipos e do modo de sua ação.

Como todo composto, pertencendo ao mundo sensível   ou ao mundo suprassensível, tem uma cor

Alcançada uma explicação das cores pela atividade   (proximidade ou distância) de seus arquétipos respectivos, a relação entre luz e cor definida como relação ente   espírito   e corpo, nosso autor pode progredir para a proposição   inicialmente enunciada, a saber uma fenomenologia e portanto uma hermenêutica da cor, que dá conta, «sal o fenômeno» da cor em todos os graus da escala completa dos mundos.

Do modo de geração das cores no mundo sensível e no mundo suprassensível

Vislumbra-se o ápice ao qual se dirige o autor, onde se opera uma convergência cativante entre a hermenêutica do Corão e a hermenêutica das cores em geral, aquela da cor vermelha em particular que é o tema do «Livro do jacinto vermelho».

Hermenêutica do Corão e hermenêutica das cores

Tomando a cor vermelha o autor empreende uma hermenêutica seguindo fase por fase a hermenêutica esotérica do Corão. Comentários esotéricos da Bíblia são alinhados juntamente com comentários esotéricos do Corão. O autor por uma interiorização radical da profetologia, relaciona todos os dados corânicos onde aparecem os profetas aos sete centros da fisiologia sutil, os quais tipificam os «profetas de teu ser» e são caracterizados cada uma por uma cor, uma aura, que lhe é própria.

Epílogo

Corbin conclui com uma investigação comparativa restrita ao mundo iraniano, embora considere da maior relevância que se estude as consequências desta teoria das cores na teoria e prática da alquimia  , da qual o xeique era adepto. Recomenda que se busque pontos comuns de sua doutrina da luz e das cores do mundo suprassensível com aquelas de outras escolas teosóficas, especialmente ocidentais como a de Swedenborg. E finalmente incita que se aborde esta teoria das cores no tocante às miniaturas persas e aos vitrais das catedrais.


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