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Wei Wu Wei (WLL:2) – Budas para queimar

sábado 27 de agosto de 2022

    

tradução

Penso que entendemos que dogmas em um mundo de constante mutação são necessariamente falsos? E posto que sabemos que tudo que formulamos em palavras, ou seja, visto dualisticamente, é inevitavelmente deformado  , podemos prontamente compreender que todas as doutrinas, religiosas, filosóficas, científicas, não podem representar mais do que uma reflexão   da verdade.

Homens e mulheres que buscam doutrinas, as estudam, se dedicam a segui-las, estão impedindo seu próprio progresso. Os Mestres não deixaram espaço para dúvida a esse respeito. Desde o Buda  , em sua frequente condenação do «discursar», eles tornaram claro, em declarando que não deve haver nenhum apego a, ou identificação com, o Dharma   ele mesmo (ou qualquer dharma), que mesmo o ensinamento do Buda ele mesmo deve ser descartado.

Doutrinas, escrituras  , sutras, ensaios, não devem ser vistos como sistemas a serem seguidos. Meramente contribuem para a compreensão. Deveriam ser para nós uma fonte de estímulo, e nada mais.

Devemos criar cada um seu próprio dharma, compreensão, e poder usar aqueles de outros para nos ajudar para este fim; eles não têm nenhum outro valor   para nós. Adotados, ao invés de usados como um estímulo, são um incômodo. Como o mestre Zen afirmou ao monge   que encontrou estudando uma sutra, «Não deixe a sutra perturbá-lo — ao invés, perturbe a sutra você mesmo». Alguns Mestres expressam-se mais forçadamente, como quando recomendam que Budas (estátuas de) são para queimar e em um dia frio usados como lenha, e em avisando, «Se encontrardes o Buda, vire e olhe para o outro lado». Tais afirmações chocam o sentido de reverência inculcado pelas religiões devocionais, mas seu significado, sua meta, sua importância, são evidentes.

Original

I think we have understood that dogmas in a world of constant mutation are necessarily false? And since we know that everything we formulate in words, that is, seen dualistically, is inevitably deformed, we can readily understand that all doctrines, religious, philosophical, scientific, cannot represent more than a reflection of truth.

Men and women who seek doctrines, study them, endeavour to follow them, are impeding their own progress. The Masters, from the Buddha down, in their frequent condemnation of “discoursing” have made that clear, and in declaring that there must be no attachment to, or identification with, the Dharma itself (or any dharma), that even the teaching of the Buddha himself must be discarded, have left no room for doubt on that score.

Doctrines, scriptures, sutras, essays, are not to be regarded as systems to be followed. They merely contribute to understanding. They should be for us a source of stimulation, and nothing more.

We must create each his own dharma, understanding, and may use those of others to help us to that end; they have no other value for us. Adopted, rather than used as a stimulus, they are a hindrance. As the Zen master stated to the monk whom he found studying a sutra, “Do not let the sutra upset you—upset the sutra yourself instead.” Some Masters expressed themselves more forcibly, as when they recommended that Buddhas (statues of) were for burning and on a cold day used one as firewood, and in advising, “If you meet the Buddha, turn aside and look the other way.” Such statements shock the sense   of reverence inculcated by the devotional religions, but their meaning, their aim, their importance, are evident.


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