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Wei Wu Wei (PP:2.II) – O que espaço-tempo é? (II)

sábado 27 de agosto de 2022

    

tradução

A inconcebibilidade da ausência   de espaço-tempo, o fato de que não pode ser pensado no sentido de visualizado, tem uma significação ainda mais profunda, posto que nada objetivável pode ser inconcebível.

O que, então, é não-objetivável? Certamente qualquer «coisa», qualquer espécie de objeto que seja é imaginável? Não pode haver qualquer coisa em absoluto que não seja objetivável, pois toda e qualquer coisa imaginável, é portanto concebida em imaginação  .

O que, então, poderia ser inconcebível, o que de fato é e deve ser inconcebível? Somente aquilo que é concebimento [o próprio conceber] é ele mesmo inconcebível, pois somente o que é concebimento não pode, quando concebendo, conceber a si mesmo  .

Pode ser sustentado que o que concebe poderia conceber a si mesmo como um objeto imaginário, como qualquer outro objeto, em duração consecutiva, mas o concebimento como tal, enquanto concebendo, não pode conceber seu próprio concebimento — não mais que um olho pode ver seu próprio olhar. Portanto o que quer que seja factualmente inconcebível só pode ser o concebimento ele mesmo o qual não pode cognoscer seu próprio ato de cognição.

Isto demonstra a validade dialética do insight   pelo qual podemos aperceber que a ausência de espaço-tempo deve necessariamente ser o que somos que não podemos concebê-la.

Deve estar evidente   que o que somos é «concebimento» — pois que mais poderia estar concebendo o que concebemos? E, se existe uma ausência fenomenal que não podemos conceber, essa ausência deve necessariamente ser nossa própria ausência enquanto está concebendo.

A ausência fenomenal do espaço-tempo, sendo inconcebível, deve portanto ser nossa própria ausência fenomenal enquanto está concebendo, e — posto que nós não podemos conceber nossa própria ausência — devemos ser o que espaço-tempo é, e espaço-tempo deve ser o que numenalmente somos.

E isso sem dúvida explica porque tudo que somos, tanto fenomenal e numenalmente, foi intitulado «mente  » pelos grandes Mestres da China.


Nota: podemos assumir também que isto explica porque tão poucas pessoas estão querendo enfrentar o problema do espaço-tempo, porque quase todas fogem envergonhadas dele, declinam discuti-lo, e só o aceitam como algo inevitável, se filósofos, religiosos, ou aquele que buscam «iluminação  ». No entanto certamente qualquer um pode ver quão vitalmente importante isto deve ser, que nada pode ser finalmente compreendido enquanto isso permaneça inexplicado, pois é óbvio que o que quer que seja está sujeito   à extensão   no espaço e à duração sucessiva não poderia ser verdadeira em si mesma. O estudo do espaço-tempo em física pode também ser a chave para o fato surpreendente que muitos dos grandes físicos encontraram-se eles mesmos seguidamente nas fronteiras da metafísica  , e foram suficientemente corajosos para assim reconhecer  .

Original

The inconceivability of the absence of space-time, the fact that it cannot be thought in the sense   of visualised, has a still more profound significance, since nothing objectifiable can be inconceivable.

What, then, is non-objectifiable? Surely any “thing,” any kind of object whatsoever is imaginable? There cannot be anything at all that is not objectifiable, for any and everything imaginable is thereby conceived in imagination.

What, then, could be inconceivable, what in fact is and must be inconceivable? Only that which is conceiving is itself inconceivable, for only what is conceiving cannot, when conceiving, conceive itself.

It might be maintained that what conceives might conceive itself as an imaginary object, like any other object, in consecutive duration, but conceiving as such, while conceiving, cannot conceive its own conceiving—any more than an eye can see its own looking. Therefore whatever is factually inconceivable can only be the conceiving itself which cannot cognise its own act of cognition  .

This demonstrates the dialectic validity of the insight whereby we may apperceive that absence of space-time must necessarily be what we are who cannot conceive it.

It must be evident that what we are is “conceiving”—for what else could be conceiving what we conceive? And, if there is a phenomenal absence which we cannot conceive, that absence must necessarily be our own absence as what is conceiving.

The phenomenal absence of space-time, being inconceivable, must therefore be our own phenomenal absence as what is conceiving, and—since we cannot conceive our own absence—we must be what space-time is, and space-time must be what noumenally we are.

And that no doubt explains why all that we are, both phenomenally and noumenally, was termed “mind  ” by the great Masters of China.

Note: We may assume also that this explains why so very few people are willing to face up to the problem of space-time, why nearly all fight shy of it, decline to discuss it, and just accept it as something inevitable, whether philosophers, the religious, or those who seek “enlightenment.” Yet surely anyone can see how vitally important it must be, that nothing can be finally understood while that remains unexplained, for it is obvious that whatever is subject to extension in space and to successional duration could not be veritable in itself. The study of space-time in physics may also be the key to the startling fact that so many of the greater physicists have found themselves on or over the borders of metaphysics, and have been brave enough to say so.

O que espaço-tempo é? (I)


Ver online : Wei Wu Wei – Posthumous Pieces