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Bem-aventuranças Graus

domingo 20 de março de 2022

      

A graduação das bem-aventuranças
Excertos de Agostinho de Hipona  , Agostinho Sermão da Montanha   - SERMÃO DA MONTANHA
Como primeiro grau da perfeição, o Senhor começa com a humildade  : "Bem-aventurados os pobres em espírito  ". Isto é, os que não são cheios de si, os que se submetem à divina autoridade   e temem as penas que podem lhes vir depois da morte, ainda que nesta vida se imaginem felizes.

Daí, chega o fiel ao segundo grau: ao conhecimento da Sagrada Escritura, na qual, em espírito   de piedade  , aprende a mansidão  . Isso para não se ver tentado de vituperar aquilo que os ignorantes consideram como absurdo. E para não se tomar culpado de indocilidade ao suscitar obstinadas discussões.

É então que começa o fiel a descobrir os laços com que os hábitos da carne   e os pecados o sujeitam a este mundo. Eis por que, neste terceiro grau, correspondente à ciência, ele chora   a perda do sumo bem, sacrificado, ao aderir a bens inferiores.

No quarto grau, está o esforço aplicado pelo fiel para se apartar dos prazeres nocivos. Aí então sente fome e sede de justiça, e lhe é muito necessária a força, pois não se abandona sem dor   o que se possui com agrado.

No quinto grau, dá o Senhor aos que perseveram nesse árduo trabalho   o conselho para se livrarem de seus apegos. Na verdade  , sem o auxílio de poder superior ninguém é capaz de se desembaraçar das múltiplas implicações de suas próprias misérias. Ora, este conselho tão justo é que quem deseja ser protegido por alguém que lhe é superior, ajude, por sua vez, a quem lhe é mais fraco. "Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia."

O sexto grau é a pureza   do coração  . A consciência   das boas obras praticadas dá ao fiel o poder contemplar o Bem supremo, que somente pode ser visto por inteligência   pura e serena.

Enfim, o sétimo grau é a própria sabedoria  , isto é, a contemplação   da verdade, aquela que pacifica todo o homem   e imprime nele viva semelhança   com Deus  .3 "Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus."

A oitava bem-aventurança volta à primeira como à sua fonte  , pois a mostra elevada ao último grau de perfeição. Assim, na primeira como na oitava, encontra-se expressamente nomeado o Reino dos Céus  : "Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus. Bem-aventurados os que são perseguidos por causa   da justiça, porque deles é o Reino dos Céus".

É então que se pode dizer: "Quem nos separará do amor de Cristo  ? A tribulação, angústia  , perseguição, fome, nudez  , perigo, espada  ?" (Rm 8,35).

São, pois, sete as bem-aventuranças que conduzem à perfeição. A oitava tudo termina e manifesta. Os primeiros graus vão recebendo uns dos outros a sua perfeição para, no oitavo, retomar ao ponto de partida.