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Wei Wu Wei (OS:65) – Pseudo-problemas

quarta-feira 31 de agosto de 2022

    

tradução

I

A PERGUNTA se “X” é cerceado ou livre – no jargão, “ignorante” ou “iluminado” – e a questão se “X” é determinado ou indeterminado   – no jargão, “predestinado” ou tem “livre-arbítrio  ” – são idênticas .

Nem é uma pergunta em absoluto. Suas premissas sendo falsas, nenhuma questão poderia levantar-se.

Não há “X”, nenhuma entidade, à qual qualquer condição possa ser aplicada – seja física ou metafisicamente, seja na vida diária ou na mente  .

Um psique  -soma é incapaz de exercer qualquer tipo de liberdade. É uma aparência que está sujeita ou a um sistema de causalidade aparente ou a um sistema de manifestação   dependente de probabilidade estatística, que são duas maneiras   de encarar o mecanismo da fenomenalidade.

O aspecto numênico do fenômeno “X” é inseparável daquele de qualquer outro fenômeno, sendo a própria numenalidade, que, não tendo existência objetiva além de suas manifestações fenomênicas, não pode ter “ens” que possa estar sujeito   a qualquer condição conceitual.

Se isso for usado como um padrão de referência para todos os supostos “problemas” aos quais qualquer suposta entidade parece estar sujeita – e quase todos os problemas serão encontrados –, será imediatamente percebido que “problemas” como tais não podem existir.

II. Novamente

O que pensa que está em sujeição ou é “determinado” é o que pensa que é uma psique-soma sujeita à causalidade ou indeterminação – que é outro modo de causalidade.

Fenomenicamente, uma psique-soma nunca pode ser livre, pois não há “ens” nela para ter liberdade, nem qualquer coisa como liberdade fenomênica para ser obtida.

Mas o que pensa estar em cativeiro ou livre, determinado ou exercendo o livre-arbítrio, é identificado no pensamento com um objeto fenomênico e parece estar sujeito a qualquer condição que tal pensamento esteja ligado.

Consequentemente, “aquele” que pensa que é livre (tem livre-arbítrio ou é “iluminado”) está tanto em “sujeição” quanto “ele” que pensa que está sujeito (é “determinado” ou “ignorante”).

O suposto “problema” não reside na presença   ou ausência das condições objetivas de sujeição ou não sujeição, determinação ou não determinação, mas na presença ou ausência do sujeito destas ou de quaisquer condições. E o suposto sujeito é um conceito de identidade   que parece estar presente  , mas que numenicamente está ausente.

A isso que todo fenômeno senciente   é, cujo único “ser” cognoscível é toda manifestação fenomênica, nenhum conceito como sujeição ou liberdade, ou qualquer outro conceito, poderia ser aplicado.

Original

I

The QUESTION whether “X” is bound or free—in jargon, “ignorant” or “enlightened”—and the question whether “X” is determined or indetermined—in jargon, “predestined” or has “free-will”—are identical.

Neither is a question at all. Their premises being false, neither question could arise.

There is no “X,” no entity, to which either condition could be applied—either physically or metaphysically, either in daily life or in mind  .

A psyche-soma is incapable of exercising freedom of any description. It is an appearance that is subject either to a system of apparent causality or to a system of manifestation dependent on statistical probability, which are two manners of envisaging the mechanism of phenomenality.

The noumenal aspect of the phenomenon “X” is inseparable from that of any other phenomenon, being noumenality itself, which, having no objective existence other than its phenomenal manifestations, can have no “ens” which could be subject to any conceptual condition.

If this is used as a standard of reference for all supposed “problems” to which any supposed entity appears to be subject—and nearly all problems will be found to be such—it will immediately be perceived that “problems” as such cannot exist.

II. Again

What thinks it is in bondage or is “determined” is what thinks it is a psyche-soma subject to causality or indeterminacy—which is another mode of causality.

Phenomenally a psyche-soma can never be free, for there is no “ens” therein to have freedom, nor any such thing as phenomenal freedom to be had.

But what thinks it is in bondage or free, determined or exercising free-will, is identified in thought with a phenomenal object and appears to be subjected to whichever condition such thought is attached.

Consequently “he” who thinks he is free (has free-will or is “enlightened”) is as much in “bondage” as “he” who thinks he is bound (is “determined” or “ignorant”).

The supposed “problem” does not lie in the presence or absence of the objective conditions of bondage or no bondage, determinacy or no determinacy, but in the presence or absence of the subject of these or of any conditions whatever. And the supposed subject is a concept of identity which appears to be present but which noumenally is absent.

To this which every sentient phenomenon is, whose sole cognisable “being” is all phenomenal manifestation, no such concepts as bondage or freedom, or any concepts whatever, could apply.


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