Página inicial > Oriente > Burgi-Kyriasi – a questão de Ramana: «quem é este eu?»

Burgi-Kyriasi – a questão de Ramana: «quem é este eu?»

sexta-feira 16 de setembro de 2022

    

Excerto   traduzido do texto original integral

Com efeito, nos é impossível viver  , sentir ou agir sem pronunciar a palavra «eu». Cada um diz «eu penso, eu desejo, eu sou  ...». O que o termo «eu» denota é portanto uma existência evidente   por ela mesma. Mas não somos jamais indagados o que esta palavra guarda? O conselho invariável de Ramana Maharshi   é que cada um deve se perguntar: «Quem é este ‘eu’?» e assim alcançar a descobrir por si mesmo   o «Eu» real. Cada um diz «eu vou, eu venho, etc.». É uma experiência de todos os dias que nos faz pensar   facilmente que a consciência   do «eu» é o verdadeiro sujeito  . Mas qual é esta consciência e qual é o sujeito? Ações tais como ir ou vir concernem quase exclusivamente o corpo e quando se diz «eu vou» ou «eu venho» esta asserção nos conduz facilmente ao pensamento que é o corpo que é o «eu». Todavia, o corpo em si mesmo é inerte. Como poderia ser em verdade o «eu»? O corpo não existia antes de ser nascido  , e não será senão um cadáver   depois da morte. Logo é muito fácil compreender que o corpo não é o «Eu». No entanto, o que é a consciência do «eu»? (Self Inquiry, n 2-3)

Poderia então se voltar para o mental, esta força misteriosa que reside no Si Mesmo e que produz todos os pensamentos, que, por outro lado, é feita deles e logo de mesma natureza (Who am I, n. 8). Mas aí ainda,em contemplando a atividade   normal, cotidiana do homem  , o primeiro pensamento a ponderar será aquele do «eu» (do egotismo). Há portanto lugar de busca então de onde este provém.

Abandonai todos os pensamentos tocando o corpo ou o universo   fenomenal. Não procures descobrir porque ou como estes fenômenos aparecem. Buscai sempre a não desvelar senão a natureza real de vosso si mesmo. O Si Mesmo ou Consciência pode ser realizado pela interrogação no mental: «Quem sou eu?» Deixe o corpo permanecer inerte como um cadáver, sem mesmo pronunciar a palavra «eu». É a este momento que uma iluminação   silenciosa da forma de um «eu-eu» poderia brilhar no Coração   (centro   do homem). Isto é dizer que, uma vez desaparecidos os pensamentos contingentes e limitados, a consciência pura, que é Una e não limitada, pode brilhar de seu próprio brilho. (Self Inquiry n. 3).

Permanecendo tranquilo e sem abandonar este exercício, que deve se fazer continuamente e sem interrupção, o egotismo, o pensamento que sou o corpo, vai se destruir completamente e, para concluir, mesmo o pensamento «quem sou eu» vai se extinguir como a cânfora que o fogo   queima sem deixar cinzas. Este é o momento que a realização do Si Mesmo terá lugar (Self Inquiry n. 3). É pela investigação de «quem sou eu?» que o pensamento mesmo de «quem sou eu?» vai destruir todos os outros. E ao final ele vai se extinguir ele mesmo, como a vara que se emprega para mexer o fogo da lareira queimando (Quem sou eu, n. 10).


Ver online : Ramana Maharshi