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conhecer e criar

domingo 20 de março de 2022

    

FILOSOFIA
Sérgio Fernandes: Fernandes Ser Humano   - SER HUMANO

Na lousa da sala de aula de um dos maiores gênios da Ciência do século que passou, Richard Feyman, estavam escritas, pouco antes de sua morte, em 1988, as seguintes pérolas de "sabedoria" pedagógica, que, a meu ver, dizem muito mais respeito ao funcionamento   da Mente   do que, seja ao impossível "conhecimento criador", seja à Presença   de Espírito  : "What I cannot create. I do not understand... Know how to solve every problem that has been solved". Por ironia   (não intencional, suponho), os termos se aproximam do que seria correto: só que... criar e conhecer são duas coisas radicalmente distintas e que compõem uma "dualidade irredutível" de arcanas fronteiras coincidentes, como dois   lados de uma moeda inteira. Tanto os objetos "antecipados", "imaginados", "projetados", ou simplesmente postos dentro de cartolas, quanto aqueles que delas são retirados, são objetos produzidos não por alguma criação, mas pelos mecanismos — nada criativos, diga-se de passagem — da MPL - Mente  , do Pensamento e da Linguagem. O que eu quero dizer é que, do ponto de vista epistemológico, os objetos postos ex ante são todos, por sua vez, também retirados de outras cartolas, numa regressão infinita.

A origem   do conhecimento simplesmente não é tematizável pela MPL - Mente, pelo Pensamento ou pela Linguagem. Pudera! O conhecimento simplesmente não pode ter "origem", muito menos num... artesanato, que é o que vulgarmente se entende por "criação" ou "criatividade". Mas se estivéssemos realmente falando de "criar" (), então estaríamos falando daquilo que já os gregos sabiam que é "impensável", ou seja, estaríamos falando da creatio ex nihilo   - criação a partir do nada, fora do tempo   e do espaço, sem antecedentes, sem cartolas e coelhos anteriores, sem pré-concepções, sem premeditação, enfim, estaríamos falando de uma contradição em termos, que seria um "começo absoluto  " aquilo que, na Física, se chama de "singularidade" e que Santo Agostinho   viu tão bem, quando concluiu que o próprio   tempo tinha que ter sido criado junto com o Universo  . "Criação", ou é uma noção   intemporal, portanto nada tendo a ver com "conhecimento", ou teria uma acepção vulgar  , com alguma coisa vulgar a ver com a noção vulgar de "conhecimento", que corresponde a mero artesanato.

Essa distinção que faço entre explicações, que pertencem à ordem do conhecimento, e compreensões, que pertencem à ordem, absolutamente distinta, das criações ou das Experiências Criadoras, consiste em que as primeiras sempre têm pressupostos, sejam premissas, seja a intencionalidade, seja a reatividade inconsciente que processa informações, ao passo que as segundas são puramente espontâneas, não pressupondo coisa alguma... nem mesmo o "criador" ou o "compreendedor", por mais paradoxal que esta afirmação   possa parecer, por enquanto. E basta, quanto ao absurdo "conhecimento criador".