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Cabelos

domingo 20 de março de 2022

      

Gnosticismo  
Evangelho de Tomé
Evangelho de Tomé - Logion 101

Assim é como o Cristo   Jesus diz no Evangelho dos Hebreus: “Há pouco me tomou minha mãe  , O Espírito   Santo, por um de meus cabelos e me levou ao monte sublime do Tabor”. É de observar   que esta perícope salva do desparecimento quase completo   do “Judaico  ” com o duplo testemunho de Orígenes e Jerônimo, é por si só um emblema que explica a função de “unidade  ” encomendada ao Espírito Santo   enquanto “mãe”. Os cabelos, são aqui a força (dynamis   = poder ou força), que se revela na cabeça   (a essência  , o espírito, ou “coroa” do homem   completo). Quanto à subida ao monte, é o testemunho da viagem   ascensional da consciência   “habitada” (conhecida) pelo Espírito Santo.

Em apoio da alegoria   dos cabelos como força, ou poder, há abundância   de exemplos testamentários. O consagrado a Deus   — o “Nazareno - nazir”, o eklektos   - eleito — se comprometia pelo tempo   de seu voto a não cortar-se o cabelo, cuja “força” deixava que obrara nele. Por isso diz Sansão — o “Nazareno - nazir” de Deus desde o seio de sua mãe — em frase que revela que pelo cabelo se significava o poder da unção do Espírito de Deus: “se viesse a ser rapado, ir-se-ia de mim a minha força, e me tornaria fraco, e seria como qualquer outro homem” (que não recebe o sopro ou sombra do Espírito).


Cabala   Mario Satz  

Assim, pois, os nazarenos, grupo a que por um indefinido espaço de tempo pertenceram Jesus, Jo  ão Batista e Paulo Apóstolo  , se abstinham do vinho  , porém conheciam tudo o que este encerra. Ou então — segundo as circunstâncias   e as pessoas — não se abstinham e revelavam suas virtudes ocultas. Quanto à cabeleira sobre a qual não se deve "levantar navalha", certos indícios nos permitem inferir   que o profeta   Elias   (2 Reis, 1,8) era um desses baal-sear, "possuidor de longos cabelos" que levava uma vida entre profética e nazarena. A palavra hebraica para "cabelo", sear, pode ser lida, com outra acentuação vocálica, como shaar, "porta  " ou "entrada". Por acaso não disse o Mestre de Nazaré, em João 10,9: "Eu sou   a porta; o que por mim entrar será salvo, e entrará e sairá"?

Também os Tao - imortais taoistas portavam os cabelos longos e revoltos para que lhes servissem como antenas. Dispostos em torno da cabeça, os cabelos se assemelham assim aos raios   do Sol. Na Índia, a trama, o tecido do Universo   está constituído pela cabeleira de Shiva  . Seguindo o exemplo dos antigos nazarenos, os Eremitas - eremitas cristãos dos primeiros séculos deixavam crescer seus cabelos, e se a tonsura era submissão a um grupo, devoção a uma ordem, abnegação, o deixá-los longos era sinal de independência, de "separação  " mística, de caminho   solitário.