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Aristóteles (EN:VI,11, 1143a-b) – compreensão (noûs)

sexta-feira 28 de janeiro de 2022

Nós falamos de capacidade de ser compreensivo [gnomen], de ter entendimento [synesin], sensatez [phronesis] e compreensão [noûs] relativamente àquelas mesmas pessoas que mostram poder de compreensão e terem juízo, que são sensatas e têm entendimento. Todos estes poderes chegam a aceder aos limites extremos das situações que de cada vez se constituem na sua peculiaridade. Ora quando alguém tem capacidade de discernimento [kritikos] acerca daquelas coisas que dizem respeito ao sensato, mostra ter entendimento e ser bastante compreensível ou ter capacidade de perdoar, porque todas as ações equitativas são comuns a todos os homens de bem nas suas relações com outrem. Assim, a possibilidade de ação diz respeito às situações que de cada vez se constituem em particular e aos seus limites extremos. Na verdade, também o sensato deve poder reconhecer a particularidade e o limite das situações que de cada vez se constituem; ter entendimento e poder de compreensão dizem respeito às situações particulares da ação; tais situações são limite. O poder de compreensão intuitiva abre para ambas as dimensões das extremidades-limite, pois a compreensão intuitiva — e não a dedução lógica — abre tanto para os primeiros princípios axiomáticos quanto para os casos extremos e limite que de cada vez se constituem em particular. Enquanto a compreensão intuitiva, que intervém na obtenção da verdade por demonstração, abre para as primeiras definições imutáveis, a compreensão intuitiva que intervém nas situações de ação abre para o limite extremo de cada uma em particular, o qual pode ser [sempre] de maneira diferente, abre, assim também, para o teor da premissa menor. Estes são os próprios princípios fundamentais da compreensão do fim. A partir dos fins particulares que de cada vez se constituem chega-se até ao fim universal. Também para este tem de haver uma intuição. Uma tal intuição é o poder de compreensão.


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