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Wei Wu Wei (OS:35) – Onde?...

sábado 3 de setembro de 2022

    

tradução

I

POR QUE O que-eu-sou   não é nem fora nem dentro? Porque estou medindo da “minha” cabeça  .

Esse é o erro   onipresente e perpétuo.

A “minha” cabeça não é o centro   a partir do qual qualquer distância fenomênica pode ser medida, e o centro do que eu sou não está aí.

Cadê? Não está em nenhum “aí”: está em todo “aqui”, e qualquer “aqui” está em todo “aí”.

A “minha” cabeça fenomenal não está fora do que sou, pois o que sou não tem “fora”; nem está “minha” cabeça fenomenal dentro do que eu sou, pois o que eu sou não tem “dentro”.

O centro do que-eu-sou, fenomenicamente, está em todo “onde” e, numenicamente, não está em nenhum “onde” – pois todo e nenhum “onde” são idênticos.

Quando percebo diretamente, “minha” cabeça é apenas uma elaborada interpretação   conceitual por parte da mente   dividida objetivando como sujeito  -e-objeto, e então esse conceito retorna à sua fonte e leva “minha cabeça” consigo.

Quando, a montante da interpretação conceitual, percebo assim diretamente, o sujeito inferencial desse objeto inferencial também deve estar ausente.

Não havendo “cabeça” objetiva, não pode sobrar “eu” para não ter aquele objeto eliminado.

Naquele momento eu sou — mas não há nenhum momento, nenhum lugar para aquele momento que não ocorra, e nenhum “eu” para ser.

Nota: Estas poucas linhas procuram levar além de sua simples expressão  , um pensamento de Maharshi   em seu último poema. Não sei se era isso que ele queria que fizéssemos?

II

É suficiente apenas perguntar Quem? Não é necessário perguntar também Onde? e Quando?

Tendemos a pensar que com a disposição   de Quem? permanecerá um universo   objetivo sólido, completo em todos os aspectos, exceto pela aparente deserção de nossos preciosos eus.

Mas as coisas não são de fato assim! É desejável perceber que o Lebensraum de cada eu precioso compartilha o destino de seu sujeito, qualquer que seja esse destino, pois tudo o que é sensorialmente percebido e conhecido com sua aparência objetiva é fenomenicamente integral com isso. Também a duração que foi imaginada para que cada elemento   ou evento pudesse evoluir na percepção, não terá mais existência aparente na ausência   de tais elementos ou eventos e de seu meio.

Segue-se que onde quer que haja um objetivo Quem? a ser encontrado haverá um objetivo Onde?, e um objetivo Quando? também, mas na ausência de um, os outros também estarão ausentes.

Mas, posto que o fenomênico Quem? não desaparece como uma aparição, nem o universo fenomênico, como consequência da apercepção   de que todos os fenômenos são apenas aparição, a identificação com um objeto é destruída, e a consequente liberação   não é somente de Quem? mas também de Onde? e a partir de Quando? O suposto “sujeito” fenomênico deixou de acreditar no impossível, e finalmente sabe o que ele sempre foi, e o que o universo fenomênico sempre foi – que não conhece Quem?, Onde?, Quando?

Mas o espetáculo   continua, e o “sujeito” fenomênico também, por mais desperto   que esteja. Para ele Quem? Onde? e Quando? são termos sem sentido, embora ele continue a usá-los como outros fazem, tais “outros” sendo tão sem sentido, em seu senso de “sentido”, como Quem eles podem “ser”, Onde eles podem “ser” ou Quando eles podem “ser”, e sua única motivação é um desejo de trazê-los à mesma compreensão do caráter fictício do que eles supõem ser genuíno e do caráter genuíno do que eles supõem ser fictício.

Original

I

WHY IS what-I-am neither without nor within? Because I am measuring from “my” own head.

That is the ubiquitous and perpetual error.

“My” own head is not the centre from which any but phenomenal distance can be measured, and the centre of what-I-am is not there.

Where is it? It does not lie in any “there”: it is in every “here,” and any “here” lies in every “there.”

“My” phenomenal head is not outside what-I-am, for what-I-am has no “without”; nor is “my” phenomenal head inside what-I-am, for what-I-am has no “within.”

The centre of what-I-am, phenomenally, lies in every “where” and, noumenally, lies in no “where”—for every and no “where” are identical.

When I perceive directly, “my” head is only an elaborate conceptual interpretation on the part of divided mind objectifying as subject-and-object, and then that concept returns to its source and takes “my head” with it.

When, upstream of conceptual interpretation, I thus perceive directly, the inferential subject of that inferential object must be absent also.

Having no objective “head,” there can be no “me” left not to have that eliminated object.

At that moment I am—but there is no moment, no where for that moment not-to-occur, and no “I” to be.

Note: These few lines seek to carry further than his simple expression of it, a thought of Maharshi’s in his last poem. I do not know whether that is what he wished us to do?

II

Is it enough just to ask Who? Is it not necessary also to ask Where? and When?

We tend to think that with the disposal of Who? there will remain a solid objective universe, complete in all respects apart from the apparent defection of our precious selves.

But things are not in fact like that at all! It is desirable to realise that the Lebensraum of each precious self shares the fate of its subject, whatever that fate may be, for whatever is sensorially perceived and cognised with his objective appearance is integral phenomenally with that. Also the duration which was imagined in order that each element or event might evolve in perception, will no longer come into apparent existence in the absence of such elements or events and of their medium  .

It follows that wherever there is an objective Who? to be found there will be an objective Where?, and an objective When? also, but in the absence of the one the others will be absent also.

But, since the phenomenal Who? does not disappear as an appearance, nor does the phenomenal universe, as a consequence of the apperception that all phenomena are appearance only, the identification with an object is destroyed, and the consequent liberation is not only from Who? but also from Where? and from When? The supposed phenomenal “subject” has ceased to believe in the impossible, and knows at last what he has always been, and what the phenomenal universe always has been—which knows no Who?, no Where?, no When?

But the spectacle goes   on, and the phenomenal “subject,” also, however wide awake he may be. For him Who? Where? and When? are meaningless terms, though he continues to use them as others do, such “others” being as meaningless, in their sense of “meaning,” as Who they may “be,” Where they may “be,” or When they may “be,” and his only motivation is an urge to bring them to the same understanding of the fictitious character of what they suppose to be genuine and of the genuine character of what they suppose to be fictitious.


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