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Hadot Socrates

domingo 20 de março de 2022

    

Excertos
Quando Sócrates pretende saber uma única coisa, ou seja, que nada sabe, é porque ele recusa a concepção tradicional de saber. Seu método filosófico consistirá não em transmitir um saber, o que exigiria responder às questões dos discípulos, mas, ao contrário, em interrogar os discípulos, pois ele mesmo não tem nada a dizer-lhes, nada a ensinar  -lhes de conteúdo teórico de saber. A ironia   socrática consiste em simular aprender alguma coisa de seu interlocutor, para levá-lo a descobrir que não conhece nada no domínio   do que pretende ser sábio   (p.53).

Trata-se bem menos de questionar o saber aparente que se acredita possuir do que de se questionar a si mesmo   e os valores que dirigem nossa vida. No fim das contas, após ter dialogado com Sócrates, seu interlocutor já não sabe muito bem por que age. Ele toma consciência   das contradições de seu discurso e de suas próprias contradições internas. E vem a saber, como Sócrates, que nada sabe, mas, fazendo isso, toma distância em relação   a si mesmo (p.55).

Ainda aqui não há um saber senão em uma descoberta pessoal que vem do interior  . Essa interioridade é, em contrapartida, reforçada pela representação do daimon  , dessa voz divina que, diz ele, nele fala e o impede de fazer certas coisas. Experiência mística ou imagem mítica, é algo difícil de dizer, mas nela podemos ver, em todo o caso, uma espécie de figura do que se chamará mais tarde de consciência moral (p.62).


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