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Ibn Arabi: Espelho

domingo 20 de março de 2022

      

Trad. Ibn Arabi   Morris   - James Winston Morris

A natureza real da "face  " humana — ou melhor o "Olho" divino e ousia   - Essência espiritual (ayn) o Espírito que é o Coração   primordial de cada ser humano   — e portanto das muitas referência corânicas do "strepho - voltar" a face em direção a ou para longe de Deus  , é mais elaborada nesta passagem da Ibn Arabi Futuhat - Futuhat.

Saiba que o kardia - coração é um espelho   polido — todo ele é uma face — que jamais "enferruja". Assim se alguém dissesse que se enferruja — como no dito do Profeta  : "Certamente corações enferrujam como o ferro", no hadith que conclui "o polimento do coração é através da mneme   Theou - lembrança de Deus e a recitação do Corão..." — isto é porque o coração se tornou preocupado em saber as causas segundas (al-asbab), as aparentes obras deste mundo), ao invés de conhecer Deus. Assim seu apego ao que é outro que Deus "enferrujou" a face do coração, como bloqueando aAuto-manifestação (tajalli  ) do al-haqq - Verdadeiro Real no coração.

Pois a divina Presença está perpetuamente manifestando a Si mesma, e não se pode nunca imaginar Seu permanente velamento de Si mesmo   de nós. Assim quando este coração falha em receber   isto (divina Auto-manifestação) da direção do divino endereçamento louvável e revelador (nos falando), porque recebeu algo outro ao invés, então este ato de recepção de algo outro (que Deus) é o que é referido (nas escrituras  ) como "enferrujar", "véus", "fechamento", "cegueira  ", "ferrugem" e símiles. Pois de fato o Si mesmo Verdadeiramente Real está (perpetuamente) concedendo este conhecimento a ti no coração, exceto quando (teu coração) está (preocupado com) saber algo outro que Deus — embora os Sabedores de-e-através Deus saibam que em realidade (este coração distraído) também está realmente sabendo de, através de Deus.

Caner K. Dagli  : THE RINGSTONES OF WISDOM  

Em Sabedoria   dos Profetas I-1, Ibn Arabi insinua a diferença   entre duas espécies de ver: ver a si mesmo em si mesmo e ver a si mesmo em outra coisa. Deus vê Ele mesmo diferentemente quando Ele é manifesto a Ele mesmo através de algo, e a maneira como Ele aparece a Ele mesmo (ou seja, a «forma») será determinada pela natureza do espelho (o qual é «lugar - o locus   visto»). Sem a existência do espelho e sem Seu autodescobrimento ao espelho Ele não seria capaz de contemplar Ele mesmo no espelho.

É preciso lembrar que de certo ponto de vista o espelho não é outro senão Deus Ele mesmo, pois todas as coisas não são nada   mais que decorrências do Si Mesmo sendo Si Mesmo. É de nosso ponto de vista que falamos de Deus e do mundo, mas do ponto de vista do Si Mesmo Supremo só há o Si Mesmo.