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Callistus: Sobre a união divina e a vida contemplativa

domingo 20 de março de 2022

      

1 Tudo aquilo que vive é naturalmente submetido à energia que o domina, e recebe desta o repouso e o desfrute que o acompanham. Pleno   de alegria  , aí consagra-se de todo seu coração  . Logo o homem  , desde que disponha da inteligência (nous) e que compreenda naturalmente a vida, regozija-se plenamente e recebe em contrapartida o repouso, quando concebe as coisas mais elevadas e aquelas que o concernem, boas e belas, segundo o nome que se queira dá-las. Eis o que lhe acontece em verdade, quando tem Deus   na sua inteligência (nous) e considera as virtudes (arete  ). Daquele que é verdadeiramente o mais alto, que além de toda a inteligência, é inteligível, que além de toda inteligência ama o homem até o fim, e que além de toda a inteligência prepara para aqueles que a Ele retornam uma herança de bondade e de beleza. E esta herança é eterna.

2 Todo nascimento dá ao que nasceu de se assemelhar ao que o engendrou. O Senhor disse: “O que nasce da carne   é carne, e o que nasce do Espírito é Espírito”. Logo aquele que nasceu do Espírito é Espírito, isto quer dizer que ele será Deus, segundo o Espírito que o engendrou, do momento que o verdadeiro Deus é o Espírito do qual nasceu pela graça aquele que tem parte com o Espírito. Mas se um tal homem é Deus, ele será manifestamente e naturalmente contemplativo  . É com efeito porque ele “contempla” que Deus é denominado “Deus”. Logo aquele que não contempla, seja porque o nascimento espiritual ainda não lhe foi dado e que ele ainda não recebeu o Espírito, seja porque, o tendo recebido, tenha por ignorância perdido seu poder de contemplar, em sua inexperiência se tenha desviado dos raios   inteligíveis de Deus que cercam o Sol   inteligível de justiça. Ele teve parte na potência contemplativa, mas permanece infelizmente privado desta energia, embora tendendo para a santidade  . [Tradução da versão francesa da Philokalia  ]



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