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Schopenhauer e os anos mais selvagens da filosofia

Schopenhauer : a razão (Vernunft) e o entendimento (Verstand)

mardi 14 septembre 2021

[Schopenhauer, citado por SAFRANSKI, Rüdiger. Schopenhauer e os anos mais selvagens da filosofia. Uma biografia. Tr. William Lagos. São Paulo : Geraçau Editorial, 2011, p. 290-291]

Os professores que detêm as cátedras das faculdades? de filosofia? consideram [290] aconselhável que justamente aquilo que diferencia o homem? dos animais, ou sejam, as faculdades de pensamento? e de reflexão? [..] seja dissociado de seu nome? anterior e não? seja mais designado? como “Razão?” (Vernunft), porém [...] preferem denominá-lo [...] de entendimento? (Verstand). [...] Isto se deve ao fato? de que precisavam no nome e da abrangência do termo? “Razão” para denominar uma faculdade? inventada e imaginada por eles. [...] Uma faculdade imediata e metafísica?, ou seja, acima de tudo, indicando a possibilidade? da experiência? que engloba o mundo? das coisas? e todos os seus relacionamentos, ao passo que, aprioristicamente, constituíram acima de todas as coisas uma “consciência? divina” (Gottbewußsein) por meio? da qual o próprio? Senhor Deus? possa ser? imediatamente conhecido, enquanto que também construíram a priori a maneira como a divindade criou o mundo ; caso isto nos parecesse demasiado trivial, trataram de explicar? a forma? como Ele o fez surgir a partir de Si mesmo e de certo modo? o engendrou mediante um? processo? vital mais ou menos necessário? que, por mais que seja cômodo, também é extremamente cômico?, [...] porque consiste simplesmente em afirmar que Deus “deu alta” (entlassen), ao mundo, de tal modo que pudesse sair a andar sobre suas próprias pernas e ir para onde lhe aprouvesse. Certamente este tipo? de coisa? só poderia ter? saído da cabeça de um misturador de ideias? sem sentido?, como o foi Hegel?. É este tipo de tolice que vem sendo publicado durante os últimos cinquenta anos, enchendo sob a capa de conhecimentos racionais centenas de livros que se autodenominam filosóficos e que se espalham por toda parte?. [...] A Razão a que se atribuem tantas mentiras fraudulentas como exemplos de sabedoria?, é explicada por eles como sendo “uma faculdade do suprassensível” (Vermögen der Übersinnlichen) ou uma capacidade? “das ideias” ; em resumo, falam de uma faculdade oracular capaz de abordar diretamente a metafísica e que se acha imanente? dentro de todos nós. Sobre as maneiras apresentadas pela razão para captar todas estas magnificências e percepções suprassensíveis ainda permanece uma grande diversidade? de opiniões entre os adeptos deste ponto? de vista. De acordo? com os mais atrevidos (Dreistesten), existe uma intuição? racional? imediata do absoluto?, ou então uma percepção? ad libitum (se assim preferirem) do infinito? e de sua evolução? para o finito? (Endlichen). Há outros mais modestos, segundo os quais as funções que a razão desempenha não podem ser comparadas com a visão?, porém antes com a audição?, já que o que a [291] razão executa não é propriamente intuir, mas sim escutar o que se passa [...] nos páramos fantásticos das nuvens (Wolkenskuckucksheim). Após haver “escutado”, a razão relata tais fatos ao assim chamado? “entendimento” e este escreve compêndios filosóficos com base nestas informações recebidas.


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