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EVANGELHO DE JESUS

Bodas de Caná

MILAGRES DE JESUS

sábado 13 de agosto de 2022, por Cardoso de Castro

    

Tomas de Aquino  : Catena aurea

    

Jo 2,1-11

jn  .2.1 και [AND] τη [ON THE] ημερα τη [DAY] τριτη [THIRD] γαμος [A MARRIAGE] εγενετο [TOOK PLACE] εν [IN] κανα της [CANA] γαλιλαιας [OF GALILEE,] και [AND] ην [WAS] η [THE] μητηρ του [MOTHER] ιησου [OF JESUS  ] εκει [THERE.]

jn.2.2 εκληθη δε [AND WAS INVITED] και ο [ALSO] ιησους [JESUS] και οι [AND] μαθηται αυτου [HIS DISCIPLES] εις [TO] τον [THE] γαμον [MARRIAGE.]

jn.2.3 και [AND] υστερησαντος [BEING DEFICIENT] οινου [OF WINE  ] λεγει [SAYS] η [THE] μητηρ του [MOTHER] ιησου [OF JESUS] προς [TO] αυτον [HIM,] οινον ουκ [WINE] εχουσιν [THEY HAVE NOT.]

jn.2.4 λεγει [SAYS] αυτη ο [TO HER] ιησους [JESUS,] τι [WHAT] εμοι [TO ME] και [AND] σοι [TO THEE,] γυναι [WOMAN?] ουπω [NOT YET] ηκει η [IS COME] ωρα μου [MINE HOUR.]

jn.2.5 λεγει η [SAYS] μητηρ αυτου [HIS MOTHER] τοις [TO THE] διακονοις [SERVANTS,] ο τι αν [WHATEVER] λεγη [HE MAY SAY] υμιν [TO YOU,] ποιησατε [DO.]

jn.2.6 ησαν [THERE WERE] δε [AND] εκει [THERE] υδριαι [WATER   VESSELS] λιθιναι [OF STONE] εξ [SIX] κειμεναι [STANDING] κατα [ACCORDING TO] τον [THE] καθαρισμον [PURIFICATION] των [OF THE] ιουδαιων [JEWS,] χωρουσαι [HOLDING] ανα [EACH] μετρητας [METRETAE] δυο [TWO] η [OR] τρεις [THREE.]

jn.2.7 λεγει [SAYS] αυτοις ο [TO THEM] ιησους [JESUS,] γεμισατε [FILL] τας [THE] υδριας [WATER VESSELS] υδατος [WITH WATER.] και [AND] εγεμισαν [THEY FILLED] αυτας [THEM] εως [UNTO «THE»] ανω [BRIM.]

jn.2.8 και [AND] λεγει [HE SAYS] αυτοις [TO THEM,] αντλησατε [DRAW OUT] νυν [NOW] και [AND] φερετε [CARRY] τω [TO THE] αρχιτρικλινω [MASTER OF THE FEAST.] και [AND] ηνεγκαν [THEY CARRIED «IT».]

jn.2.9 ως δε [BUT WHEN] εγευσατο [HAD TASTED] ο [THE] αρχιτρικλινος [MASTER OF THE FEAST] το [THE] υδωρ [WATER] οινον [WINE] γεγενημενον [THAT HAD BECOME,] και ουκ [AND] ηδει [KNEW NOT] ποθεν [WHENCE] εστιν οι [IT IS,] δε [> [KNEW] οι [WHO] ηντληκοτες [HAD DRAWN] το [THE] υδωρ [WATER,)] φωνει [CALLS] τον [THE] νυμφιον [BRIDEGROOM] ο [THE] αρχιτρικλινος [MASTER OF THE FEAST]

jn.2.10 και [AND] λεγει [SAYS] αυτω [TO HIM,] πας [EVERY] ανθρωπος [MAN] πρωτον [FIRST] τον [THE] καλον [GOOD] οινον [WINE] τιθησιν [SETS ON,] και [AND] οταν [WHEN] μεθυσθωσιν [THEY MAY HAVE DRUNK FREELY] τοτε [THEN] τον [THE] ελασσω [INFERIOR  ;] συ [THOU] τετηρηκας [HAST KEPT] τον [THE] καλον [GOOD] οινον [WINE] εως [UNTIL] αρτι [NOW.]

jn.2.11 ταυτην [THIS] εποιησεν την [DID] αρχην [BEGINNING] των [OF THE] σημειων ο [SIGNS] ιησους [JESUS] εν [IN] κανα της [CANA] γαλιλαιας [OF GALILEE,] και [AND] εφανερωσεν την [MANIFESTED] δοξαν αυτου [HIS GLORY;] και [AND] επιστευσαν [BELIEVED] εις [ON] αυτον οι [HIM] μαθηται αυτου [HIS DISCIPLES.]

Juan Matos e Juan Barreto

A água-vinho da purificação. O tema da água aparece pela segunda vez nas núpcias   de Caná (Jo 2,1-11). As talhas de pedra  , figura da Lei (tábuas de pedra), destinadas a conter água para a purificação, estão vazias (Jo 2,7: Enchei as talhas de água)-, a antiga Lei não pode purificar. Uma vez que João caracterizava sua missão como a da água e a de Jesus como a do Espírito   (veja-se antes I), é significativo que no começo de sua atividade   Jesus transforme a água em vinho. Caracteriza assim sua obra como a passagem da aliança antiga para a nova.

Fazendo encher as talhas de água, Jesus significa sua vontade de purificar (restabelecer a relação com Deus  ), o que a antiga instituição não conseguira fazer; ao converter em vinho somente a amostra de água que oferece o mestre-sala (Jo 2,9), explica que sua purificação é independente da Lei da antiga aliança (a água foi tirada das talhas). Sua purificação não se fará a partir de fora (água que lava), e sim a partir do interior do homem   (vinho que se bebe, o Espírito). A purificação, associada sempre à ideia de aflição   ritual (liturgia penitencial), passa para o campo   da alegria e da festa, dada pelo vinho do Espírito nas novas núpcias-aliança.

Antonio Orbe

Que faz no banquete   de bodas o demiurgo  ? O «arquitriclino» ordenava o festim. O termo (de Evangelho da Verdade) se inspira em Jo 2,9. Os valentinianos relacionam o festim nupcial com as bodas de Caná. Provavelmente agregariam símbolos particulares. Os noivos, quiçá, o Salvador   e Sofia. Os que serviam à mesa, os anjos   psíquicos. A transformação   da água em vinho, a mudança   de economia   para os psíquicos. Chamados por natureza a experiências animais  , saborearam para sempre, em prêmio ao serviço dos espirituais, de uma bem-aventurança   superior. O milagre   é obra do Salvador. O arquitriclino o testifica com gozo, pois mais o favorece a ele que aos noivos.

À luz do fragmento 12 de Heracleon e do Evangelho da Verdade 62,1s, a missão do demiurgo «arquitriclino» adquire além do mais outra dimensão. O festim de bodas se situa na ceia   pascal  . O demiurgo tem a sua direita o Cristo animal com o peito aberto pela lança, «para que vejam todos a quem perfuraram», «sacrifício e manjar», ao mesmo tempo. Como arquitriclino, se deve manifestar a todos — psíquicos e pneumáticos — naquela última ceia. Fixos os olhos no corpo do Cristo psíquico, recordarão o preço de sua saúde  ; e ainda os espirituais — logo do «trânsito» ao pleroma   — guardarão memória daquele a cujo sacrifício devem o descanso.

Roberto Pla

Segundo o relato evangélico, é urgido Jesus pela mãe  , uma vez esgotado o vinho natural, a incorporar o vinho messiânico procedente de sua vida espiritual. Não há dúvida de que o vinho de que aqui se fala é o vinho messiânico, pois não há que supor que o evangelista incorre no gesto pueril de converter a Jesus em um subministrador milagroso de vinho comum para a diversão profana dos assistentes a um banquete. Mas ocorre que a hora do enlace místico   é estritamente, a hora da primeira manifestação   interior do Filho oculto, a hora “do pequenino   de sete dias a quem se interroga” (Evangelho de Tomé - Logion 4) para iniciar   paulatinamente a conversão da água dos conteúdos psíquicos batismais — em vinho do espírito, para que o “homem novo em Cristo” cresça na consciência   até alcançar a unidade   no seio da videira verdadeira.

As bodas messiânicas assinalam a hora de começar a ganhar, não sem pudor  , o pão da vida que o espírito deixa chover mansamente sobre a alma   enamorada de Deus. Cada descida de alimento   espiritual é sempre crescimento de Cristo na alma ou, melhor ainda, desvanecimento da alma no espírito; mas tal consumação   não é obra de um dia senão da vida inteira. Por isso aceita Jesus iniciar a “conversão” (metanoia  ), mas adverte “à mãe” que não é chegado ainda o momento de “embriagar-se” com o vinho messiânico. O que cabe é começar a conversão para ter entretanto algum vinho que servir no cálice. Como aviso das fadigas que aguardam a noiva mística — a alma — invoca Jesus veladamente a velha maldição genesíaca trazida pela inimizade entre a linhagem da serpente   (conhecimento) e a linhagem reflexiva ou ação feminina do pensamento   sobre si mesmo  .

Jesus diz: “Que tenho eu contigo, mulher?” Com isto parece voltar seu olhar ao segundo capítulo do Gênesis, onde ao referir-se YHWH   Deus à mulher formada por ele, diz: “Esta será chamada mulher” (Gen 2,23). É importante recordar que a “mulher” foi chamada pelo homem “Eva”, com o que o ser humano, Adão  , manifesta não somente reconhecê-la como “mulher” senão também como “mãe”, pois segundo diz o texto: “Chamou a sua mulher Eva por ser ela a mãe de todos os viventes” (Gen 3, 20). Por isso, quando o evangelista anota que sua mãe o disse a Jesus: “Não tem vinho”, o aviso não vem de Maria, a mãe manifesta do soma de Jesus, senão de Eva, a “mãe dos viventes”, enquanto “mãe” universal   da vida psíquica, quer dizer, do pensamento reflexivo com tudo quanto tem este de contrapartida psíquica feminina e que se institui, segundo foi dito, como uma só carne   na psique, pois o pensamento, varão e “varoa”, constituem o ser humano psíquico completo, a psique inteira, quer dizer, “Adão alma vivente  ”.

Seis talhas de pedra vazias há apartadas na sala das bodas — figura do que hoje chamamos a mente   — e nelas se pode armazenar, como se fossem depósitos da memória, todo o material reunido pela “alma vivificada”, preparado para entrar no processo de purificação. O evangelista explica que, com efeito, as talhas estavam destinadas às purificações e sua capacidade de volume  , dois   ou três medidas cada uma, recorda as três medidas necessárias para que toda farinha   fermente endereçada para o Reino de Deus  , segundo diz a parábola da levedura (vide Levedura), e cujo valor   espiritual foi descrito pelos sinópticos ao explicar a parábola do semeador.

Com isto tem início a obra milagrosa de Jesus neste episódio. Sua significação é a mesma que tem o batismo   nas águas do Jordão que os sinópticos relatam. As talhas, cheias de água “até em cima”, quer dizer, até a medida completa, até alcançar a epignosis, o conhecimento perfeito, creditam que a alma (= água = ruah), “saciada” de conteúdos psíquicos, submersa neles, sofre a fome e a sede de justiça próprias para a bem-aventurança (vide Bem-aventurados. É nestas águas psíquicas batismais onde se há de produzir a conversão (metanoia) pela qual, progressivamente, todos os conteúdos psíquicos suscetíveis de ser salvos pela purificação se resolverão em ser espírito (vinho — nesamah para ser logo exalado antes de ascender ao Pai.

No relato joanico, a ação do Pai vem figurada pelo mestre-sala, Aquele que preside às bodas místicas, Aquele que aprova e revela a existência do vinho novo. Em grego mestre-sala, architriclinus, o que preside um banquete; neste caso, o banquete messiânico no qual se celebram as bodas do esposo e da esposa — espírito, alma — celestiais. Evangelho de Tomé - Logion 28

Frithjof Schuon

Evidentemente, não podia haver, na intenção   de Cristo, a preocupação única de não ver profanado um sacramento natural e primordial. Havia, também, e até mesmo acima de tudo, o oferecimento de um meio espiritual congênito para uma perspectiva ascética, pois a castidade   é necessariamente o gérmen   de um caminho  , levando-se em consideração   justamente a ambiguidade   das coisas sexuais. Em Caná, Cristo consagrou ou abençoou o casamento, sem que se possa afirmar que Ele o fez segundo o meio pauliniano ou agostiniano. Transformou a água em vinho, o que é de um simbolismo eloquente e se refere com muito maior verossimilhança à possibilidade da união   simultaneamente carnal e espiritual do que ao oportunismo moral e social dos teólogos. Caso se tratasse de uma união apenas carnal, ela não seria mais humana, justamente. [1] [O ESOTERISMO   COMO PRINCÍPIO E COMO VIA]


Ver online : EVANGELHO DE JOÃO


[1Quando a Igreja ensina que Maria foi «concebida sem pecado», refere-se ao fato de sua alma ter sido criada sem a mácula do pecado original. Mas muitos fiéis não-instruídos creem que esse atributo se refere à maneira extraordinária da sua concepção, realizada sem a união carnal dos seus pais — segundo uma tradição — ou, pelo menos, sem desejo nem prazer na união, portanto sem «concupiscência». Se essa interpretação não é teológica, sua existência não deixa de ser significativa, pois tal sentimento é típico da perspectiva cristã.