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O Mundo como Vontade e como Representação Tomo I

Schopenhauer (MVR1:81-82) – ilusão e erro

Livro I §8

mardi 14 septembre 2021

Excerto de SCHOPENHAUER, Arthur. O mundo como vontade e como representação. Primeiro Tomo [MVR1]. Tr. Jair Barboza. São Paulo : Editora UNESP, 2005, p. 81-82.

Como da luz? imediata do sol à luz emprestada e refletida da lua, passaremos agora? da representação? intuitiva, imediata, auto-suficiente e que se garante a si mesma, à reflexão?, isto é, aos conceitos? abstratos e discursivos da razão?, que têm seu conteúdo apenas a partir e em referência? ao conhecimento? intuitivo. Durante o tempo? em que nos mantemos intuindo de modo? puro?, tudo é claro, firme, certo. Inexistem perguntas, dúvidas, erros. Não? se quer ir além?, não se pode ir além ; sentimos calma no intuir, satisfação? no presente. A intuição? se basta a si mesma. [I 142] Por conseguinte, tudo o que se origina puramente dela e a ela permanece fiel, como a autêntica obra de arte?, nunca pode ser? falso? ou contradito pelo tempo, pois lá não há opinião? alguma, mas a coisa? mesma. No entanto, junto com o conhecimento abstrato?, com a razão, dúvida? e erro? entram em cena no domínio teórico?, cuidado e remorso? no prático?. Se na representação intuitiva a ILUSÃO? distorce por momentos a realidade?, na representação abstrata o ERRO pode imperar por séculos, impondo seu jugo férreo a povos inteiros, sufocando as mais nobres disposições, e, mesmo quem não é por ele enganado, é acorrentado por seus escravos ludibriados. O erro é o inimigo contra o qual os mais sábios espíritos de todos os tempos travaram uma batalha desigual e apenas o que nela conquistaram se tornou patrimônio da humanidade?. Por consequência?, é aconselhável agora dedicar-lhe atenção?, já que vamos adentrar o solo no qual se encontra o seu domínio. Embora tenha sido dito? diversas vezes que se deve perseguir a verdade? [81] mesmo quando não se vê nenhuma utilidade nela, visto que pode ser mediata e aparecer? quando menos se a espera, penso ter? de acrescentar aqui que se deve estar? do mesmo modo empenhado em descobrir e erradicar qualquer erro, ainda que não se anteveja nele prejuízo algum, porque também pode ser mediato? e aparecer quando menos se o espera. Todo? erro traz veneno em seu interior. Se é o espírito?, o conhecimento que faz do homem? o senhor da terra?, então não há erros inocentes, muito menos respeitáveis e sagrados. E, para consolo daqueles que, de algum modo e em alguma ocasião?, despendem força? e vida? no nobre e difícil combate contra o erro, não posso eximir-me de acrescentar : quando a verdade ainda não existe, o erro pode jogar o seu jogo?, como as corujas e morcegos o fazem à noite ; porém, pode-se até esperar que as corujas e os morcegos empurrem de volta o sol para o leste, mas não que a verdade conhecida e expressa de maneira clara, plena, seja de novo reprimida, [1] e o antigo erro de novo ocupe, imperturbável, o seu amplo espaço?. Eis aí a força da verdade, cuja vitória é [I 143] dura e trabalhosa mas, uma vez alcançada, é definitiva.


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[1No original alemão verdrängt, cuja substantivação leva a Verdrängung, “repressão”. Reprimir e repressão são termos registrados na língua portuguesa já na segunda metade do séc. XVIII, portanto, coetâneos da obra principal de Schopenhauer. São termos caros à psicanálise freudiana e cuja antecipação se verifica, inclusive com notável paralelo teórico, em Schopenhauer. Para isso, veja-se mais adiante a teoria da loucura, livro terceiro, § 36. (N. T.)