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O Mundo como Vontade e como Representação Tomo I

Schopenhauer (MVR1:200-201) – causa e motivo

Livro II §26

mardi 14 septembre 2021

Excerto de SCHOPENHAUER, Arthur. O mundo como vontade e como representação. Primeiro Tomo. Tr. Jair Barboza. São Paulo : Editora UNESP, 2005, p. 200-201

De fato, Malebranche tem razão. Toda causa na natureza? é causa ocasional, apenas dá a oportunidade, a ocasião, para o fenômeno? da Vontade una, indivisa, em-si de todas as coisas, e cuja objetivação grau por grau é todo este mundo? visível. Apenas a entrada em cena, o tornar-se-visível neste lugar, neste tempo, é produzido pela causa, e nesse sentido depende desta, mas não o todo do fenômeno, não a sua essência íntima : esta é a Vontade, à qual não se aplica o princípio de razão, e, portanto, é sem-fundamento. Coisa alguma no mundo possui uma causa absoluta e geral de sua existência?, mas apenas uma causa a partir da qual existe exatamente aqui, exatamente agora. Por que uma pedra mostra agora gravidade, outra vez rigidez, agora eletricidade, outra vez propriedades químicas, tudo isso depende de causas e ações externas, e são explicáveis a partir destas. Entretanto, as propriedades mesmas, portanto toda a essência em que consistem, e que se exterioriza de todos aqueles modos, logo, o fato de ser em geral assim como é, o fato de existir em geral — isso não possui fundamento algum, mas é o tornar-se-visível da Vontade sem-fundamento. Portanto, toda causa é causa ocasional. E assim a encontramos na natureza destituída de conhecimento?. Precisamente assim é também ali onde não se trata mais de causas e excitação, mas de motivos que determinam o ponto de entrada dos fenômenos, por consequência, ali onde se trata do agir? de animais e homens. Pois aqui, como lá, trata-se de uma única e mesma Vontade que aparece, diversa nos graus de sua manifestação, múltipla nos fenômenos e, nesse aspecto, submetida ao princípio de razão, porém em si mesma livre de todas essas determinações.


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