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Tratado dos Princípios

Origenes: De Principiis

Apresentação

sexta-feira 5 de agosto de 2022, por Cardoso de Castro

    

Traité des principes, segundo a versão francesa de Henri Crouzel   e Manlio Simonetti

    

Obra teológica enquadrada no meio filosófico da época (225-230), platonismo médio   e neoplatonismo. Primeira obra de Orígenes  , da qual só nos resta a tradução latina de Rufino, na íntegra, cujo original foi "adulterado" na tradução. Existe também trechos dispersos em escritos de outros padres, em especial na Filocalia   de Orígenes, organizada por Basílio de Cesaréia e Gregório de Nazianzo.

Abaixo o índice de tópicos, a partir do qual faremos alguns extratos traduzidos; a mesma estrutura   de tópicos pode ser vista em um esquema resumo; tudo foi feito a partir dos Livros I e II, na tradução francesa publicada pela Sources Chrétiennes.

Segundo esta versão realizada por Henri Crouzel   e Manlio Simonetti, buscou-se um plano da obra em conformidade com as investigações já desenvolvidas por B. Steidle: as três Pessoas, as criaturas razoáveis, o mundo, de I,1 a II,3; mais longamente com uma apêndice sobre as Escrituras, de II,4 a IV,3; enfim brevemente na recapitulação. Este seriam os três estados do curso dado por Orígenes em Alexandria.

Houve uma tentativa de aproximação da estrutura do Peri Archon   dos Stromata   de Clemente de Alexandria e das Enéades de Plotino  . Esta comparação   de Orígenes e Plotino vem sendo feita inclusive pelo próprio   tradutor destes tratados Henri Crouzel. A ordem dos tratados origeneanos em cada uma das duas séries é paralela em sentido inverso àquele da seis Enéadas que concernem respectivamente: 1) a moral, 2) e 3) o mundo, 4) a alma  , terceira hipóstase, 5) a inteligência  , segunda hipóstase, e as Ideias que ela contém, 6) o ser, Uno   ou Bem, primeira hipóstase.

Tudo que nos resta do Tratado dos Princípios nos foi passado   pelos tradutores e copistas dos séculos IV ao VI. Torna-se difícil compreender as intenções de Orígenes, teólogo e ekklesiastikos do século III, através   deste filtro “crítico” de gerações posteriores a seu tempo  , com preocupações diversas. A Igreja   minoritária e perseguida do tempo de Orígenes torna-se dominante e o Império cristão. O Cristianismo se organiza. As questões de estrutura eclesial e de autoridade   tomam mais lugar. A regra   de fé é precisada, expressa em declarações escritas, e tende a se impor como lei civil. A herética se torna um inimigo   público. Assim se repassa Orígenes, condenando-o muitas vezes por não tratar adequadamente de problemas tão distintos daqueles de seu tempo.

Uma modificação   de mentalidade é acentuada no tocante à filosofia. O grande esforço de conversão da intelligentsia assumido nos séculos II e II pela escola de Alexandria, não tinha mais cabimento. Nem Rufino, nem os detratores de Orígenes têm a filosofia como sua preocupação. A cultura da época, para Jerônimo, não representava um desafio de conversão. A própria linguagem filosófica, especialmente a linguagem platônica, não era mais compreendida. Além do mais Rufino e Jerônimo são latinos, não gregos, o que se faz notar em suas versões latinas das obras de Orígenes, acentuando aspectos disciplinares e judiciários, e o moralismo, pelo viés de suas traduções do grego.

As heresias que preocupavam Orígenes e contra as quais argumentava, não são as mesmas nos séculos IV a VI, na “retransmissão” de Orígenes. As heresias visadas pelo Peri Archon são as da tríade Valentino-Marcion-Basilide. Eles opõem entre eles os dois   Testamentos e os Deuses que os inspiram: daí a insistência de Orígenes sobre a unidade e a alegoria   escriturária que dela decorre. A Valentino se condena a doutrina das três naturezas de almas e sua predestinação estrita: Orígenes reponde afirmando o livre arbítrio   e a igualdade original das almas. E assim por diante...

Orígenes se opõe, no seio da Grande Igreja, àqueles que denomina “os mais simples” e que poderia se caracterizar de três maneiras  : antropomorfistas, tomam à letra   os antropomorfismos bíblicos e dão a Deus   um corpo: contra eles é afirmada a incorporeidade absoluta da divindade  ; os milenaristas, que creem no Apocalipse 20, 1-10, ou seja, um reino de mil anos do Cristo   e de seus santos na Jerusalém terrestre, antes da ressurreição   final segundo uma concepção materialista: em oposição a eles Orígenes formula sua doutrina tão caluniada da ressurreição; os literalistas, que guardam o sentido literal do Antigo Testamento  , até o absurdo: Orígenes os combate com sua doutrina da alegoria escriturária.


Extratos e citações: Prólogo; LIVROS: I; II; III; IV; V; VI; VII; VIII

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