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La barbarie

Henry (B:175-176) – universidade

LA DESTRUCTION DE L’UNIVERSITÉ

lundi 13 septembre 2021

Excerto de HENRY, Michel. A Barbárie. Tr. Luiz Paulo Rouanet. São Paulo : É Realizações, 2012, 175-176

Tradução

Quando uma coisa? se inclina para seu fim?, a causa? de sua morte? próxima reside nela ou fora dela. No caso da Universidade - a Universidade francesa será tomada aqui como caso exemplar? o princípio? de sua destruição pode ser? lido tanto em sua realidade? específica quanto na do meio? que a cerca ; é o mesmo princípio que age duas vezes ou, antes, que age em toda parte?, em uma só sociedade? na qual a barbárie? que a corrompe progressivamente, como um? todo?, torna impossível? a manutenção, nela, de uma Universidade conforme a seu conceito?.

O que é a Universidade ? Segundo o sentido? que ela deriva tanto de sua etimologia como de sua origem? histórica, Universidade - universitas - designa um campo? ideal? constituído e definido pelas leis que a regem. É porque leis são, como tais, universais? e, assim, atuantes em todo lugar?, pelo menos no interior do domínio que lhe está submetido, que este seja afetado, de maneira visível ou oculta, por uma universalidade que faz dele uma totalidade? homogênea. Toda organização humana, no entanto, e, assim, toda sociedade, não? obedece somente às leis, as quais, antes de serem representadas em um código? legislativo ou jurídico, são primeiro e em si mesmas leis da vida? ? Dessas leis, nossas análises precedentes nos mostraram, de um lado, que são leis práticas, constitutivas como tais de uma ética?, sob sua forma? original de ethos?, ética coextensiva à vida e à sociedade em geral? ; de outro?, que essas leis da vida são as de sua conservação e de seu crescimento. É dessa maneira que toda sociedade é, por natureza?, um domínio de cultura?.

Especifiquemos, em primeiro lugar, o estatuto? que a Universidade deve à sua origem histórica. Em determinada época?, nos séculos XIII e XIV, no Ocidente, o papa, o imperador e o rei, por decisões solenes e conscientes de suas consequências, fundaram ou instituíram uma Universidade, instituição? que consistia nisto : estabelecer, a fim de tornar possível? a realização de certas tarefas e a atividade? daqueles que se dedicassem a elas, leis específicas, diferentes das que valem para o resto da sociedade. Foi, portanto, em uma marginalidade de princípio, deliberada e não simplesmente factual ou contingente?, que as universidades? se constituíram em toda parte onde foram criadas. Observamos o aspecto? não compreendido dessa marginalidade ainda hoje, quando as autoridades comuns de polícia e de justiça? não têm o direito? de penetrar no interior de um campus universitário, a não ser por convite expresso do reitor ou de um diretor, exprimindo-se em nome? da instituição universitária enquanto tal.

Dessa marginalidade se segue que o conceito de Universidade encerra uma contradição?, se for verdade? que aquilo que ela tende a promover, a saber?, uma universalidade limitada e excepcional, se propõe como um monstro lógico?. Essa contradição, porém, nos remete imediatamente a uma questão? : por que leis e regras diferentes daquelas que regem em geral uma sociedade, por que essa universalidade paradoxal que é a Universidade devem ser instituídas ? Tal questão, de aparência? formal?, reveste-se de uma significação? absolutamente concreta, caso se lembre que a sociedade como tal, como essência? geral, não existe, e que as leis dessa sociedade são na verdade leis da vida, leis de sua conservação e de seu crescimento. Entretanto, a vida, por sua vez, não existe nem sob o aspecto de um conceito, nem sob o de uma entidade? geral : enquanto tal, ela experimenta a si mesma e só “é” como essa provação de si, é a cada vez sob a forma de um Si, como a efetivação desse Si e como sua experiência? efetiva que ela se produz. Não há, portanto, nem História?, nem Sociedade, mas somente “indivíduos vivos”, cujo destino? é o do Absoluto?, o qual só advém, enquanto subjetividade? absoluta, pela multiplicidade? indefinida de mônadas?, da qual constitui o único? fundamento?.

Original

Quand une chose s’incline vers sa fin, la cause de sa mort prochaine réside en elle ou hors d’elle. Dans le cas de l’Université – l’Université française sera prise ici comme un cas exemplaire –, le principe de sa destruction peut se lire aussi bien dans sa réalité? propre que dans celle du milieu qui l’entoure, c’est le même principe qui agit deux fois, ou plutôt qui agit partout, dans une seule société où la barbarie qui la corrompt progressivement tout entière rend justement impossible le maintien en elle d’une Université conforme à son concept.

Qu’est-ce que l’Université ? Selon le sens qu’elle tient à la fois de son étymologie et de son origine historique, Université – universitas – désigne un champ idéal constitué et défini par les lois qui le régissent. C’est parce que des lois sont comme telles universelles et ainsi partout agissantes, à l’intérieur du moins du domaine qui leur est soumis, que celui-ci est affecté, de façon visible ou cachée, par une universalité qui fait de lui une totalité homogène. Toute organisation humaine cependant, et ainsi toute société, n’obéit-elle pas à des lois, lesquelles, avant d’être représentées dans un code législatif ou juridique, sont d’abord et en elles-mêmes les lois de la vie ? De ces lois nos analyses précédentes nous ont montré d’une part que ce sont des lois pratiques constitutives comme telles d’une éthique sous sa forme originelle d’ethos, éthique coextensive à la vie et à la société en général ; d’autre part que ces lois de la vie sont celles de sa conservation et de son accroissement. C’est de cette façon que toute société est par nature un domaine de culture.

Précisons d’abord le statut que l’Université tient de son origine historique. A une époque donnée, au XIIIe et au XIVe siècle en Occident, le pape, l’empereur, le roi ont, par une décision chaque fois solennelle et consciente? de ses conséquences, fondé ou institué une université, laquelle institution consistait en ceci : établir, afin de rendre possible l’accomplissement de certaines tâches et l’activité de ceux qui s’y vouaient, des lois spécifiques, différentes de celles qui valent pour le reste de la société. C’est donc dans une marginalité principielle, délibérée et non simplement factuelle ou contingente, que les universités se sont constituées partout où elles l’ont été. La trace incomprise de cette marginalité, nous l’observons encore aujourd’hui quand il apparaît que les autorités ordinaires de police et de justice n’ont pas le droit de pénétrer à l’intérieur d’un campus universitaire sinon sur l’invitation expresse d’un doyen ou d’un président s’exprimant au nom de l’institution universitaire en tant que telle.

D’une telle marginalité il suit que le concept d’Université enferme une contradiction, s’il est vrai que ce qu’il tend à promouvoir, à savoir une universalité limitée et exceptionnelle, se propose comme un monstre logique. Mais cette contradiction nous renvoie immédiatement à une question : pourquoi des lois et des règlements différents de ceux qui régissent en général une société, pourquoi cette universalité paradoxale qu’est l’Université doivent-ils être institués ? Une telle question d’apparence formelle revêt une signification absolument concrète dès qu’on? veut bien se souvenir que la société en tant que telle, en tant qu’essence générale, n’existe pas et que les lois de ladite société sont en réalité les lois de la vie, les lois de sa conservation et de son accroissement. Seulement la vie à son tour n’existe ni sous l’aspect d’un concept ni sous celle d’une entité générale : en tant qu’elle s’éprouve elle-même et n’ « est » que comme cette épreuve de soi, c’est chaque fois sous la forme d’un Soi, comme l’effec-tuation de ce Soi et comme son expérience effective quelle se produit. Il n’y a donc ni Histoire ni Société mais seulement des « individus vivants » dont le destin est celui de l’Absolu, lequel n’advient jamais, en tant que subjectivité absolue, qu’à travers la multiplicité indéfinie des monades dont il constitue l’unique fondement.


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