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Santos Simbolismo 4

terça-feira 29 de março de 2022

    

TEMA V
ARTIGO 5 - O QUATERNÁRIO - O NÚMERO 4
Ao serem examinadas as vibrações, verifica-se facilmente que a alternância, que é diádica, só apresenta a sucessão nitidamente quando há repetição da díade  , portanto quando se apresenta quaternariamente. Assim a curva alta e a curva baixa, quando repetidas, dão o sentido da sucessão, do prolongamento.

Ademais, a visão   do orbe   permite estabelecer os quatro pontos cardiais, os quatro ventos tão distintos de cada direção  , como ainda as quatro estações, que se apresentam nitidamente diferentes nos climas temperados.

O exame   do espaço leva a estabelecer as direções quaternárias, as mais simples com os quais se pode dividir o espaço, como alto e baixo, direita e esquerda. Ao observar   os estados da matéria, pôde o homem   reduzi-los a quatro estados elementares: o sólido, o líquido, o aeriforme é o fluídico, cujas combinações dariam os outros estados conhecidos. No exame   do clima, percebeu o homem que ele é quaternariamente distribuído: quente  , seco, frio e úmido, cujas combinações dariam a heterogeneidade dos climas conhecidos.

Ao examinar etnologicamente a constituição das raças humanas, verificou que, conforme os pontos cardiais, as raças eram também quatro: a branca no norte, a negra no sul, a amarela ao leste e a vermelha no oeste. Ao examinar u funcionamento   na natureza, observou que quatro eram as funções características: a assimilação  , que se dá até no reino vegetal; o catabolismo animal  , que revela características diferentes da vegetal; e, finalmente, a constituição do sistema nervoso, com funcionamento diferente dos outros.

O homem, por exemplo, é mineral, é vegetal, é animal e é o racional. Na divisão   da natureza, comprovou que podia reduzi-la a quatro reinos; o animal, o vegetal, o mineral e o humano.

Se perpassarmos os nossos olhos pelas obras dos antigos jônicos, e se formos além, até o pensamento   das culturas egípcia, hindu, japonesa, encontramos sempre a afirmativa de que quatro são os elementos   fundamentais, de cujas combinações surgem todos os outros: terra  , água, ar e fogo  , que correspondem aos quatro estados da natureza. Verificou ademais o homem que os quatro estados da natureza não se seguem um ao outro arbitrariamente, pois não se passa do estado   sólido para o gasoso sem que o anteceda o estado liquido, como no campo   das estações o verão não passa para o inverno, sem que se intercale o outono. Encontramos ainda na química moderna uma reprodução destes quatro estados, dos quatro elementos primordiais, como seja o hidrogênio, que corresponde à água, o oxigênio, que corresponde ao fogo, o azoto, que corresponde ao ar, e o carbono que corresponde à terra.

São estes quatro elementos os principais de cada um destes estados da matéria ou pelo menos os fundamentos, e vemos nos mitos religiosos gnomos correspondendo à terra, ondinas correspondendo à água, sílfides correspondendo ao ar, e salamandras correspondendo ao fogo.

Em toda a parte a mesma simbólica do quaternário, até quando o homem procura classificar os caracteres, ou melhor, os temperamentos, como na concepção hipocrática. O linfático corresponde à água, o sanguíneo corresponde ao ar, o bilioso corresponde ao fogo, e o nervoso corresponde à terra.

Também na filosofia encontramos sempre a presença   do quaternário. Ao estudar as causas, Aristóteles   reduziu-as a quatro fundamentais: a eficiente, a formal, a material e a final. Quando Jung   classificou os caracteres em dois, introvertido e extrovertido, pouco depois teve de estabelecer quatro funções, e posteriormente subdividir o introvertido em ativo e passivo e, identicamente, o extrovertido, classificando os caracteres quaternariamente.

Quatro eram as regras da alquimia  , quatro as escalas da natureza, quatro as idades do homem, quatro os períodos do homem, como os períodos do dia.

Os pitagóricos consideravam quatro os números sagrados, a tetractys, pois a divindade   pode também ser vista quaternariamente como mais adiante veremos. A tetractys é simbolizada pelos quatro primeiros algarismos, 1 + 2 + 3 + 4 = 10, cuja soma é a grande década  , a unidade   suprema. Estes quatro números podem referir-se, na aritmologia, ao ponto (1), linha (2), superfície (3), cubo (4), mas, para os pitagóricos, esta simbólica é somente de grau de paraskeiê, pois nos graus mais elevados, ela simboliza o quaternário tomado no sentido mais profundo, isto é, além da tríade inferior  , que já tivemos oportunidade   de examinar.

Examinando a natureza e os seus ciclos evolutivos, veremos que eles podem ser sempre reduzidos a quatro.

O quaternário é o número do tempo   e das coisas temporais.

O quaternário é assim o símbolo das coisas corpóreas, o número, o arithmós em sentido pitagórico, do universo   cósmico  .

Em todas as religiões do mundo, há o emprego do quaternário como símbolo da natureza, e uma filosofia ou um pensamento religioso, que se ativesse apenas ao campo do quaternário, seria uma filosofia ou religião meramente naturalista.

Entre os iniciados, fala-se no quaternário quando se faz referência ao universo dos ciclos revolutivos.

E até no setor da história e da sociologia não são poucos os estudiosos que se veem forçados a estabelecer o quatro, quando desejam estudar as fases da história, como Oswald Spengler  , que divide os ciclos culturais em quatro períodos, pois é impossível reduzir um ciclo   a menos de quatro, se se deseja ter um conhecimento fundamental.

A circunferência, cortada em cruz pelos diâmetros (horizontal e perpendicular) nos revela o quatro imerso na circunferência. E temos aqui uma visão simbólica da unidade, a circunferência, dividida em suas quatro partes. É uma simbólica panteísta, naturalista, materialista, etc. Se no entanto for a de um quadrado incluso na circunferência, teremos uma visão panteísta, isto é, tudo (pan) está em Deus   (em theos  ).

Temos o quaternário simbolizado pelo quadrado, como ainda o encontramos pelo tetraedo. A cruz suástica é símbolo do quaternário, mas as suas pontas, os segmentos verticais e horizontais representam a expansão e o dinamismo do quaternário. Entre os hindus, encontramos o quaternário simbolizado pelo lótus de quatro pétalas.

Um dos símbolos mais expressivos do quaternário é a base das pirâmides do Egito  , tendendo cada lado para um dos pontos cardiais. Em sua base, a pirâmide é quaternária. Mas como convergem as linhas para um ápice central é símbolo também do quinário. Na verdade   as pirâmides são símbolos de todos os números, e querem referir-se aos arithmói archai   (os números arquetípicos) que são 9, nos quais já estudamos a unidade, a oposição e a relação  , correspondentes ao 1, ao 2 e ao 3, e agora o 4, que é símbolo da reciprocidade, da evolução básica.

Encontramos o 4 simbolizado em diversas tétradas de divindades, como entre os fenícios, Baal, princípio masculino   abstrato, Baan, princípio feminino abstrato, Cusoros, princípio masculino realizador, e Mot, princípio feminino realizador, ou ainda Indra  , Mitra, Varuna e Agni  , entre os brâmanes  , etc.

Quatro são os evangelhos  , quatro as letras que estão colocadas ao alto da cruz (I . N . R . I.) interpretadas geralmente como Jesus   Nazarethus Rex   Judaeorum, - Jesus de Nazaré, Rei dos Judeus, que os hermetistas interpretam por Igne Natura Renovatur Integra, "pelo fogo é a natureza totalmente renovada."

As quatro letras, no alfabeto hebraico, são as seguintes, com os seus significados: Jam, que significa o mar, água; Nour, o Fogo, a lâmpada, Ruah, o Ar, o sopro; e Iabeshah, a Terra, o sal.

Em alguns quadros renascentistas, a cruz imerge na terra, ergue-se para o ar ao céu, uma das extremidades aponta a água de um riacho e, a outra, ao Fogo, simbolizado por um raio.

Quatro são os soldados que partilham os despojos de Cristo, e o quatro encontramos em muitas passagens da Bíblia, sempre apontando a criação no sentido evolutivo e cíclico.

Aplicando a nossa dialética, que até aqui foi esboçada, é fácil compreendermos o uso simbólico do quaternário, mas antes examinaremos o sentido da tetractys, dos pitagóricos.

A unidade aponta à Mônada suprema, ao Ser Supremo, que é UM. Dois indica a oposição das duas positividades opostas, contrárias, os dois vetores de toda a criação, a Díada menor. As relações que surgem da díade dão surgimento à série.

Todo ser finito é composto de um ser ativo, determinante que é o seu ato, e um passivo, determinável, que é a sua potência. Se o que é em ato já é, o que é em potência ainda não é. Consequentemente o ser finito, em ato, não é tudo quanto pode ser. Falta-lhe algo, de algo carece, de algo está privado. Portanto, além do ato e da potência, há ainda a privação  . Quando a potência se atualiza, o não-ser   passa a ser. Da díade de ser e não-ser, na atualização, temos o não-ser que agora é. Neste caso, a síntese quase forma, entre as antíteses ser e não-ser, não é apenas triádica, mas quaternária, pois a síntese é a afirmação   do que era antes e do não-ser anterior  , cuja possibilidade podia atualizar. Na síntese, há ainda a afirmação da atualização da possibilidade, a negação do ser antes, e a negação do não-ser, e negação binária do ser anterior e do não-ser anterior, que estão, na síntese, afirmados e negados.

1.a fase: 1) Ser 2) Não-ser.

Quando o não ser recebe a "forma" nova, isto é, quando atualiza uma possibilidade, temos:

2.a fase 3) o Ser que era, já não é como era, para ser agora como é; 4) o não-ser, que não era, é agora.

O não-ser, ao receber   a forma, nega-se como não-ser para afirmar-se como ser; mas, como ser agora, não deixa de afirmar a possibilidade que tinha antes, pois a atualização, que se dá agora, é também uma afirmação da possibilidade anterior.

Essa é uma maneira de compreender o quaternário como seria proposta dentro de uma dialética hegeliana, conciliada ao pensamento esotérico.

No pensamento exotérico das religiões e dos mitos, o quaternário refere-se ao aspecto da ordem cósmica em seus ciclos. Mas o cosmos é, por sua vez, um símbolo da Grande Mônada, do Ser Supremo, pois o exige, como já vimos.

Encontramos o quaternário em todas as classificações da natureza, em todas as esferas do conhecimento humano. Encontramo-lo no cosmos, também. Para os pitagóricos, é o quaternário, a tetractys, a origem   de todas as coisas sensíveis, corpóreas, as quais podem ser vistas sob dez ângulos ou maneiras  : unitária, diádica, ternária e quaternariamente.

É preciso compreender a tétrada pitagórica de dois modos: a tetractys suprema, e a tétrada inferior. A primeira refere-se à tríade divina e à criação, que comporia o Todo e Tudo. A segunda tétrada refere-se ao quaternário.

Da oposição (dois) surge a relação (três). A relação entre os opostos   dá o surgimento do ser serial e evolutivo, o ser quaternário, o ser cósmico, que sucede na temporalidade. Todo o ser corpóreo é triadicamente composto, porque é o produto de um relacionamento. Mas tal relacionamento não é estático, mas dinâmico, e o ser corpóreo sucede, portanto, no tempo, onde desenvolve suas procissões ativas e passivas, o que caracteriza o seu evolver, a sua evolução.

Quatro simboliza assim a reciprocidade do ativo-passivo e do passivo-ativo, que sé dá em toda ordem cósmica.

Quatro é assim o símbolo da evolução corpórea, a evolução dos seres cronotópicos, que se dão, portanto, no tempo e no espaço. Corresponde, deste modo, à visão tempo-espacial da física moderna, às quatro dimensões da corporalidade.

O ser corpóreo é para os pitagóricos aquele que tem um princípio, um meio e um fim, e se desenvolve, em suas procissões ativas e passivas, no tempo e no espaço.